Strategy Is Your Words
Um curso estruturado a partir da experiência de Mark Pollard, estrategista, fundador da Sweathead e autor do livro homônimo.
"Strategy is your words. Start with words, continue with words, and finish with words."— Mark Pollard
Os 15 Módulos
Do básico ao avançado. Cada módulo inclui conceito, exemplos e exercício prático.
Running vs. Playing
A metáfora de Andrea Pirlo que explica por que agências correm demais e pensam de menos.
Strategy Is Your Words
Por que os melhores livros de estratégia são livros de escrita.
O Que É Uma Ideia?
A diferença entre pensamentos e ideias, e os 8 tipos de ideias em publicidade.
Problem
O primeiro ponto do Four Points: encontrando o problema humano por trás do problema de negócio.
Insight
Verdades humanas não-ditas que o subconsciente reconhece quando vê.
Advantage
O que é único E motivador na sua marca. Não features, não diferenciais técnicos.
Strategy
O clash entre insight e advantage que gera uma nova forma de ver a marca.
Lateral Thinking
O Flip: "It's not X, it's Y". A ferramenta mais importante do estrategista.
Writing Propositions
A single-minded proposition: a essência da estratégia em uma frase.
The Logline
25 palavras ou menos. Como Hollywood pode ensinar estrategistas a vender ideias.
Apresentando Ideias
Os 13 princípios de apresentação. Mostre, pause, repita.
Escrevendo Briefs
Um brief vago produz trabalho vago. Como escrever briefs que funcionam.
Defendendo Estratégia
Estratégia morre em reuniões. Como defender o que você criou.
Trabalhando com Criativos
A relação estrategista-criativo: onde o trabalho acontece ou morre.
Sua Voz Estratégica
Desenvolvendo um ponto de vista próprio. O estrategista como artista.
Pronto para começar?
Este curso é gratuito. Leia no seu ritmo. Faça os exercícios. Desenvolva sua voz.
Começar o Módulo 1 →Running vs. Playing: A Metáfora de Andrea Pirlo
"A lot of running; too little play." — Andrea Pirlo, sobre o futebol americano
O livro "Strategy Is Your Words" abre com uma comparação entre Andrea Pirlo e Inigo Montoya (de "A Princesa Prometida"). Mark usa Pirlo, o lendário meio-campista italiano, para diagnosticar não apenas o futebol nos Estados Unidos, mas todo o mundo corporativo e das agências.
Em 2016, Pirlo, então jogando pelo New York City FC, fez uma observação devastadora sobre o futebol americano: "É uma liga muito difícil de jogar. É muito física, tem muita corrida. Então há muito trabalho físico e, na minha mente, muito pouco jogo."
Mark Pollard viu nessa frase a síntese perfeita do problema das agências modernas.
O Diagnóstico
Running é atividade conspícua. É ser visto trabalhando:
- Reuniões demais sobre reuniões
- Emails intermináveis sobre emails
- Reorganizações que reorganizam reorganizações anteriores
- Revisões de ideias por pessoas que nunca colocaram caneta no papel
- Decks de estratégia de 100 slides sem ponto algum
- Hackathons corporativos sem follow-up
- Noites viradas remendando pitch porque o time de new business sentou no brief por duas semanas
"Jobs are now spectator sports. That's why thinking must happen in public. That's why we are suspicious of introverts and their inner lives." — Mark Pollard
Play, por outro lado, é atividade inconspícua. É pensar. É ter ideias. É fazer o trabalho que importa, mesmo que ninguém veja você fazendo.
"Play is majestic. Play knows the heart of the game. Play knows itself."
A Estratégia de Pirlo
O que fazia Andrea Pirlo excepcional não era sua velocidade ou força física. Era sua estratégia: fazer a bola fazer o trabalho, não o jogador.
Pirlo jogava como regente de orquestra. Sabia onde a bola precisava ir antes que ela soubesse. Seus passes eram poesia em movimento. Mas em Nova York, seus colegas de time não sabiam como receber esses passes. A cultura era correr, não pensar.
A Conexão com Estratégia
Mark usa essa metáfora para perguntar:
"If everyone is running, who's thinking? And what game is this? And isn't there another game we can play?" — Mark Pollard
O problema é cultural. Correr sem propósito vem de uma crença de que atividade visível faz sua carreira acontecer. Timesheets medem isso. Cargos recompensam isso.
Mas pensar é diferente. Pensar acontece na privacidade da mente. É difícil de observar. É por isso que reuniões existem: para eliminar o pensamento independente.
O Chamado à Ação
A introdução de "Strategy Is Your Words" termina com uma cena reimaginada de "A Princesa Prometida". Inigo Montoya, após finalmente derrotar Count Rugen, não pede dinheiro ou poder. Ele sussurra:
"I want my craft back, you son of a bitch." — Inigo Montoya (reimaginado por Mark Pollard)
Esse é o chamado para estrategistas: parem de correr. Reclamem seu ofício. Comecem a jogar.
✍️ Exercício: O Inventário de Running
Liste suas atividades da última semana de trabalho. Classifique cada uma como "Running" ou "Playing":
Depois responda:
- Qual foi a proporção de Running vs. Playing?
- Quais atividades de Running você poderia eliminar?
- Quando foi a última vez que você teve tempo para pensar de verdade?
Strategy Is Your Words: A Tese Central
"Strategy is ideas and ideas are made of words." — Mark Pollard
O título do livro de Mark não é uma metáfora. É literal. Estratégia é literalmente suas palavras. Tudo em uma agência acontece em palavras:
- Um brief é um conjunto de palavras
- Uma apresentação é um conjunto longo de palavras que leva ao brief criativo
- Uma ideia acontece em palavras
- Até cargos são palavras (por isso você continua pedindo promoção)
"Words can do anything but they excel at seeing through mess. This is why books on writing are great books on strategy." — Mark Pollard
A Premissa
A maioria dos estrategistas se esconde atrás de jargão e complexidade. Mark argumenta o contrário:
"At their worst, words make everything hard. If you think word length impresses people, understand this: big words are hiding places and good strategy doesn't hide." — Mark Pollard
Palavras grandes são esconderijos. Estratégia boa não se esconde.
Isso não significa que simplicidade seja fácil. Mark cita Bruce Lee:
"Before I studied the art, a punch to me was just like a punch, a kick just like a kick. After I learned the art, a punch was no longer a punch, a kick no longer a kick. Now that I've understood the art, a punch is just like a punch, a kick just like a kick. The height of cultivation is really nothing special. It is merely simplicity; the ability to express the utmost with the minimum." — Bruce Lee
A Jornada do Estrategista
A maioria dos estrategistas passa por uma jornada similar:
- Básico: Alguém apresenta os fundamentos
- Sedução: Você descobre frameworks elaborados, IPs trademarkeados, processos que parecem científicos e justificáveis
- Retorno: Você percebe que são só caixas com símbolos de trademark e que o trabalho é, finalmente, simples
O problema é quando estrategistas ficam presos na segunda fase, vendendo complexidade como diferencial.
"If you've ever wondered how to make money, here's the trick: take something that seems magical, make it complex, and then sell yourself as the way to solve the complexity and to get to the magic." — Mark Pollard
O Trabalho do Estrategista
O trabalho de account planning é encontrar significado na bagunça. O ato de account planning é simplicidade.
"The job of account planning is to find meaning in mess."
A Arte do Estrategista
"Account planning is part-science and part-intuition. But it's closer to art than it is to economics, closer to absurdism than logic, closer to comedy than business." — Mark Pollard
Mark defende que estratégia é trabalho criativo:
"If you're a planner and not doing creative work then you aren't a planner." — Mark Pollard
Por Que Livros de Escrita São Livros de Estratégia
Por quê? Um escritor precisa notar o que outros não notaram e então expressar o que notou de formas convincentes. Pegue um bom livro de não-ficção e tente destacar a frase mais significativa de cada página por um capítulo. Você vai destacar ideias.
Livros recomendados por Mark:
- "On Writing" de Stephen King
- "On Writing Well" de William Zinsser
- "The Elements of Style" de Strunk & White
- "The Artful Edit" de Susan Bell
✍️ Exercício: Traduza para Humano
Pegue um documento de estratégia que você escreveu ou recebeu recentemente. Encontre três frases com jargão corporativo.
Reescreva cada uma usando:
- Palavras de no máximo duas sílabas
- Como você explicaria para sua avó
- Como um comediante diria
Original 1:
Versão humana:
Original 2:
Versão humana:
O Que É Uma Ideia?
"The secret about ideas is this: Few people who use the word 'idea' know what an idea is. Or how to have an idea. Or how to help others have an idea. Or how ideas are different from thoughts." — Mark Pollard
Se você estudasse contabilidade, sairia da primeira semana sabendo o que são "débito" e "crédito". Você só poderia entrar na carreira de contabilidade com conhecimento íntimo desses dois conceitos.
Pessoas podem entrar em carreiras de publicidade sem nunca saber o que é uma ideia.
Ideias vs. Pensamentos
Usamos a palavra "ideia" de formas diferentes:
- Para descrever sugestões: "Tenho uma ideia: vamos comer sopa coreana no almoço."
- Para descrever novos conceitos: "Tenho uma ideia: é um negócio que transforma memes em produtos de banho."
- Quando alguém diz algo estúpido: "Você não tem ideia." (Não seja assim.)
"Ideas and thoughts feel different. When I'm training people in lateral thinking, I point out how adding mischief feels different in the brain." — Mark Pollard
A Definição de Mark
"Ideas are useful combinations of things that don't usually belong together."
Note as palavras-chave:
- Úteis: não é só esquisitice por si só
- Combinações: juntar coisas
- Que não costumam estar juntas: há um elemento de surpresa, de lateral thinking
Os 8 Tipos de Ideias em Publicidade
| Tipo | Descrição |
|---|---|
| Business idea | O que a empresa faz de novo |
| Brand idea | O que a empresa representa de novo |
| Brand tagline | Frase curta que traduz o que a marca representa |
| Advertising idea | O pensamento central em toda comunicação |
| Campaign idea | Subset temporal, uma execução de curto prazo |
| Content idea | Jargão para coisas que não são anúncios |
| Non-advertising idea | Conceito que resolve um problema sem ser centrado em publicidade |
| Execution | Os elementos importantes da execução |
Exemplo: WWF e Earth Hour
| Tipo | WWF / Earth Hour |
|---|---|
| Business idea | Proteger o meio ambiente dos humanos |
| Brand idea | Manter o planeta vivo |
| Brand tagline | "For a living planet" |
| Non-advertising idea | Earth Hour: fazer o mundo apagar as luzes por uma hora |
| Campaign idea | Vote Earth: voto popular medido pelo número de luzes apagadas |
Por Que Isso Importa
Separar a ideia da execução importa por cinco razões:
- Longevidade — Se alguém não consegue explicar sua ideia, pode estar usando truques visuais para sobreviver
- Defensibilidade — Para defender bom trabalho, precisa haver uma linha clara do desafio até o criativo
- Eficiência — Se não há estacas no chão e algo é rejeitado: DOMINÓ! Retrabalho.
- Âncora Mental — Pensamento execucional dificulta coerência entre canais
- Preguiça é Contagiosa — Projetos sem estratégia clara vão escorregando de reunião em reunião
✍️ Exercício: Destrinche Uma Marca
Escolha uma marca que você admira. Preencha:
Business idea:
Brand idea:
Brand tagline:
Advertising idea:
O que faz a marca memorável: a ideia ou a execução?
Problem: O Começo de Tudo
"Looking for the human problem behind the business problem is a rapid way to get to the heart of the attitudes and behaviours you need to help change." — Mark Pollard
No framework Four Points de Mark Pollard, tudo começa com o Problem. Mas não qualquer problema. O problema humano por trás do problema de negócio.
O Erro Comum
A maioria dos briefs começa com problemas de negócio:
- "Precisamos aumentar awareness"
- "Precisamos aumentar relevância"
- "Precisamos melhorar conversão"
- "Precisamos rejuvenescer a marca"
Mark chama esses de "problemas chatos". São table stakes. Todo mundo tem esses problemas.
O Problema Humano
O que Mark busca é diferente. É o obstáculo ou barreira na mente das pessoas.
| Business Problem | Human Problem |
|---|---|
| Vendas de ingressos estão caindo | Os fãs odeiam torcer para o time |
O problema de negócio é quantitativo. O problema humano é emocional, visceral, verdadeiro.
Os 5 Porquês
Técnica roubada da Toyota. Você pega um problema superficial e cava até a causa raiz.
Exemplo:
- Os holdouts não estão comprando ingressos de temporada. Por quê?
- Eles não querem gastar dinheiro em Nova York. Por quê?
- O New York Knicks não está indo bem há muito tempo. Por quê isso impediria de comprar ingresso se eles são leais?
- Eles ressentem o dono. Por quê?
- Porque ele parece só se importar com dinheiro.
Agora você tem algo para trabalhar.
Regras para o Problema
- Use Linguagem Normal — Se você está usando palavras que ninguém usa fora de salas de reunião, você está escondendo a verdade.
- Torne Provocativo — O problema precisa fazer alguém parar e pensar.
- Diga Curto — Se não cabe em um post-it, você ainda não entendeu.
"Precisamos aumentar o brand equity" → "As pessoas não gostam mais da gente"
O Formato
O problema deve ser uma frase que:
- Está na perspectiva do cliente, não do negócio
- Usa linguagem normal
- É provocativa
- Cabe em um post-it
| Fraco | Forte |
|---|---|
| "Precisamos aumentar awareness entre millennials" | "Millennials acham que somos a marca dos pais deles" |
| "Precisamos melhorar conversão no checkout" | "As pessoas abandonam o carrinho porque têm medo de se arrepender" |
✍️ Exercício: Encontre o Problema Humano
Escolha uma marca com a qual você trabalha ou conhece bem.
1. Qual é o problema de negócio declarado?
2. Pergunte "Por quê?" cinco vezes:
3. Qual é o problema humano por trás?
Insight: A Verdade Não-Dita
"Insights are unspoken human truths, truths the subconscious recognizes when it sees them. Often, insights are the arsenal of comedians and poets." — Mark Pollard
Depois de "estratégia", "insight" é uma das palavras mais usadas e mal usadas no mundo das agências. Há uma diferença entre "encontrei umas coisas" e "encontrei um insight".
A Definição de Mark
"An insight is an unspoken human truth that sheds new light on the problem."
Palavras-chave:
- Unspoken (não-dita): Não é óbvia. Não está na superfície.
- Human truth (verdade humana): Sobre pessoas, não sobre marcas ou produtos.
- Sheds new light (joga nova luz): Faz você ver o problema diferente.
Como Reconhecer Um Insight
Um insight verdadeiro faz você:
- Sentir borboletas no estômago
- Ficar um pouco nervoso ou desconfortável
- Rir (não de piada, mas de reconhecimento)
- Sentir como se alguém tivesse confessado algo
"It hits me in the gut, and gives me butterflies and makes me maybe nervous or feel a bit awkward, or giggle or feel like I've heard someone confess something to me." — Mark Pollard
A Estrutura X is Y
Uma das formas mais poderosas de praticar insights é a estrutura "X is Y".
Exemplo: Crise de meia-idade
- "A mid-life crisis is death asking if you're ready"
- "A mid-life crisis is life telling you to pay attention"
- "A mid-life crisis is your young self convulsing at your old self"
- "A mid-life crisis is a cocaine bender for all your repressions"
Cada uma dessas frases combina "crise de meia-idade" com algo que normalmente não está junto. São pensamentos laterais. São ideias.
Insights vs. Observações
| Observação | Insight |
|---|---|
| As pessoas checam o celular no metrô | Pessoas checam o celular no metrô para evitar contato visual com estranhos e a desconfortável intimidade forçada |
| Mães estão cansadas | Ser mãe é o único trabalho onde você é promovida quando faz tudo errado |
| Millennials gostam de experiências | Millennials postam experiências porque é mais fácil fingir felicidade com uma foto de viagem do que explicar por que você não pode pagar um apartamento |
A Busca pela Verdade
"Account planning is a search for truth. You can always pull words and themes back but don't fear taboos or the rawness of life. Taboos are relative and they are your tools." — Mark Pollard
✍️ Exercício: O Caderno de Insights
Escolha um tópico do seu dia a dia. Escreva 5 variações de "X is Y":
Tópico: Redes Sociais
Agora releia cada um. Quais acertam no estômago?
Advantage: O Que Só Você Tem
"Your goal here is to find a truth about the brand or product that is both unique AND motivating to its customers." — Mark Pollard
O Advantage no framework Four Points não é só uma lista de features. É encontrar o que é único E motivador sobre uma marca. As duas coisas juntas.
O Erro Comum
Muitas marcas confundem Advantage com:
- Lista de features
- Benefícios genéricos
- Linguagem de marketing
"Words like 'performance,' 'durability,' 'dependability,' and 'ease of use' aren't very useful." — Mark Pollard
Único vs. Motivador
Muitas coisas são únicas mas não motivadoras:
- "Somos a única marca com sede em Akron, Ohio"
- "Somos a marca mais antiga do mercado"
- "Temos 47 sabores diferentes"
Muitas coisas são motivadoras mas não únicas:
- "Qualidade premium"
- "Atendimento excepcional"
- "Inovação constante"
O Advantage precisa ser ambos. E isso é difícil.
Como Encontrar o Advantage
- Use Linguagem Normal — Tire a linguagem de marketing da cabeça de todo mundo e substitua por linguagem normal.
- Procure no que Você NÃO Tem — Às vezes há algo único e motivador na ausência de algo.
- Procure em Reviews Reais — O que as pessoas estão realmente dizendo?
O Clash com o Insight
O Advantage não existe em isolamento. Ele faz um clash com o Insight para gerar a Strategy.
| Insight | Advantage | Strategy |
|---|---|---|
| Há um traço em Nova York de aguentar até explodir | Os Knicks são projetados para deixar as pessoas com raiva | Mostre que os Knicks são o melhor anger management da cidade |
✍️ Exercício: Encontre o Advantage
Escolha um produto que você usa todo dia.
1. Liste 5 features:
2. Para cada feature, pergunte: "Isso é único?" e "Isso é motivador?"
3. O que sobrou que é ambos?
4. Escreva o Advantage em uma frase de linguagem normal:
Strategy: O Clash (The Four Points)
"Strategy is an informed opinion about how to win." — Mark Pollard
Aqui chegamos ao coração do framework Four Points. A Strategy é o ponto onde Insight e Advantage colidem para resolver o Problem.
O Framework Completo
O Que É Strategy
A Strategy no Four Points é uma frase que:
- Resolve o Problem
- Colide Insight e Advantage
- Dá uma nova forma de ver a marca
Mark gosta de escrever strategies no formato:
"Show that X is Y"
Exemplos:
- "Show that a mid-life crisis is a wake-up call"
- "Show that the New York Knicks are great anger management"
- "Show that Audi protects you from the clowns on the road"
Por Que "Show that X is Y"
Esse formato é limpo. Ele:
- Agrupa dois pensamentos em uma ideia
- Não tenta ser uma tagline
- Não tenta ser uma ideia de campanha
- É claro sobre o que o trabalho precisa fazer
O Exemplo Completo: New York Knicks
| Elemento | New York Knicks |
|---|---|
| Problem | Os fãs holdouts do New York Knicks odeiam torcer para o time |
| Insight | Há um traço em Nova York de aguentar até explodir |
| Advantage | Os New York Knicks são projetados para deixar as pessoas com raiva |
| Strategy | Show that the New York Knicks are the best anger management in town |
O Thread (Fio Condutor)
Uma das coisas mais importantes no Four Points é o thread: a linha que conecta Problem → Insight → Advantage → Strategy.
No exemplo dos Knicks, "raiva" aparece em todos os lugares. Ter um thread significa que o trabalho criativo pode honrar a estratégia.
✍️ Exercício: Complete o Four Points
Escolha uma marca. Complete o framework:
Problem:
Insight:
Advantage:
Strategy (Show that X is Y):
Verifique: Há um thread conectando todos os pontos?
Lateral Thinking: O Flip
"A 'flip' is jargon for a lateral thought: 'It's not X, it's Y.'" — Mark Pollard
Lateral thinking é o coração do trabalho do estrategista. É o que transforma observações em insights, pesquisa em estratégia, dados em ideias.
O Que É Lateral Thinking
O termo foi popularizado por Edward de Bono há cerca de 50 anos. Lateral thinking é diferente de pensamento linear. Pensamento linear vai de A para B para C logicamente. Lateral thinking pula de A para Z porque vê uma conexão que ninguém viu.
"The kind of strategy that I advocate for is a strategy that's riddled with ideas, riddled with lateral thoughts, bringing things together in unexpected and novel and useful ways." — Mark Pollard
A Técnica do Flip
A forma mais simples de lateral thinking é o Flip:
"It's not X, it's Y."
Você pega uma suposição comum e vira de cabeça para baixo.
Exemplos:
- Crise de meia-idade não é o fim. É um wake-up call.
- A marca não é velha. É clássica.
- O produto não é caro. É um investimento em você mesmo.
A Estrutura X is Y
Mark mantém um caderno de observações. Ele captura dezenas de pensamentos por dia e depois faz variações:
Grape scissors (tesouras de uva) são:
- The appendix of the sharp cutlery species
- How a monster acts gentle
- Paper scissors that refused to grow up
- How weak people get to eat grapes
- How an educated person in a dead-end career cries for help in public without anyone hearing
São ideias. Como audiência, você decide se alguma delas é boa. Mas se você bufou ou riu, estamos em algo.
Praticando Lateral Thinking
- Mantenha um caderno de observações — Capture dezenas de pensamentos por dia. Não julgue.
- Faça riffs — Pegue uma observação e escreva 10 variações. Depois 10 mais.
- Procure comediantes — Comediantes são mestres de lateral thinking.
- Leia não-ficção — Bons escritores colocam um lateral thought em cada parágrafo.
✍️ Exercício: 20 Flips
Escolha um produto simples (uma caneta, um café, uma cadeira).
Escreva 10 flips usando "It's not X, it's Y":
Escreva 10 variações de "X is Y":
Writing Propositions
"When I run training sessions and ask planners what they want to improve, 'writing propositions' is the most common answer." — Mark Pollard
Propositions são o meio do caminho do planning. Em uma frase, elas focam toda a pesquisa em uma única ideia que busca resolver um problema.
O Que Criativos Querem
Se você trabalha com times criativos, eles querem propositions que:
- Combinem uma verdade sobre a empresa com um insight humano
- Apareçam em palavras curtas, não drivel intelectual longo
- Surpreendam
- Pareçam verdadeiras baseadas em suas vidas e experiências
- Os ajudem a ver ideias imediatamente
A Jornada para Boas Propositions
"The journey to good propositions is hard because writing is hard." — Mark Pollard
Por isso Mark recomenda:
- Ler livros sobre escrita
- Escrever e reescrever
Estruturas Úteis
Get / To / By
- Get [persona]
- To [fazer algo]
- By [nós fazendo ou dizendo algo]
Show that X is Y
- Show that [marca/produto] is [nova forma de ver]
Evite Estas Palavras
Se você está colocando linguagem run-of-the-mill como estas na sua proposition, repense:
- Convenience, Quality, Easy
- Performance, Dependability
- Authentic, Confidence, Premium
"If you're putting run-of-the-mill language like 'convenience,' 'quality,' and 'easy' in here then I don't believe there's a need for you." — Mark Pollard
Exemplo: Croissant App
Para Croissant (app que dá acesso a vários espaços de coworking):
"When you move around, doors open."
É um insight? Talvez. É verdade? Sim, baseado na experiência de usar o app. Uma ideia criativa poderia vir disso rapidamente? Sim.
✍️ Exercício: Três Propositions
Escolha uma marca. Escreva três propositions diferentes:
Proposition 1 (Get/To/By):
Get _______________
To _______________
By _______________
Proposition 2 (Show that X is Y):
Proposition 3 (Uma frase simples):
Teste: Um criativo conseguiria ver ideias lendo isso?
The Logline: 25 Words or Less
"In 25 words or less, how would you explain the non-executional bits of your idea?" — Mark Pollard
Hollywood usa loglines. Estrategistas deveriam usar também. Um logline é a essência da ideia em uma ou duas frases, sem execução.
O Que É Um Logline
Um logline é uma explicação concisa do que a ideia É, não de como ela FUNCIONA.
Exemplo Earth Hour:
"We're going to get the world to turn off their lights for an hour."
Isso é um logline. Não diz como vamos fazer isso acontecer. Não diz quais táticas usaremos. Só diz o que é a ideia.
Por Que 25 Palavras?
25 palavras força clareza brutal. Se você não consegue explicar sua ideia em 25 palavras, você provavelmente não tem uma ideia. Você tem uma execução se passando por ideia.
Separando Ideia de Execução
"The idea and how it works are separate; keep it that way." — Mark Pollard
Mantenha separados:
- A ideia
- Como você vai fazer a ideia
- Como as pessoas vão interagir com a ideia
Labels Grudam
Ao invés de rotular sua ideia "Ideia 1" ou "Direção 1", dê um nome criativo.
E se você não rotula sua ideia? Seu cliente rotula. E aí a ideia brilhante vira conhecida como "a ideia do gorila".
"Earth Hour" é um bom nome. Diga o nome e você já tem uma pista da ideia.
O Blink Test
"I can't recall a client buying an over-explained idea. People either get it and want it or they aren't and they don't. Within seconds." — Mark Pollard
Se não funciona em uma frase, dificilmente vai funcionar em um deck de 50 slides.
✍️ Exercício: Loglines
Parte 1: Filmes
Escolha 3 filmes. Escreva o logline de cada um em 25 palavras ou menos:
Filme 1: _______________
Filme 2: _______________
Parte 2: Sua Ideia
Pense em um projeto recente. Escreva o logline:
Primeira tentativa (provavelmente longa demais):
Terceira tentativa (25 palavras ou menos):
Apresentando Ideias
"You're here to do three things: Make a point. Make people care about your point. Ask for something." — Mark Pollard
Apresentar ideias não é sobre slides bonitos. É sobre fazer um ponto, fazer as pessoas se importarem, e pedir algo.
Story Rainbows vs. Information Monsters
Information Monsters são:
- Grandes, longas, enormes, overwhelming
- Bullet point após bullet point
- Cem slides e nenhum ponto
"One hundred slides and no point makes people want to hide under the bed until you're gone." — Mark Pollard
Story Rainbows, por outro lado:
- Tentam cativar, não subjugar
- Têm um ponto principal, ligeiramente fora do centro
- Reorganizam toda a informação ao redor desse ponto principal
A Estrutura de Três Atos
Ato I: Começa com a rotina regular (status quo atual). Comece com um Opening Image, seu gancho.
Ato II: Quebra a rotina, acontece no "outro mundo" (o que é possível com sua solução).
Ato III: Retorna a algum tipo de rotina. Tende a terminar com uma closing image oposta à opening image.
Os 13 Princípios de Mark
- A ideia e como ela funciona são separadas; mantenha assim
- Labels grudam; use-os
- Use um logline
- Mostre, pause, repita seu caminho
- Deixe outras pessoas completarem suas frases
- Configure — Pense em quando, onde e por quanto tempo
- Não deixe alguém mudar sua apresentação momentos antes
- Cuide e seja confiante — Ambos são contagiosos
- Signposts ajudam — Diga o que vai dizer, diga, diga o que disse
- Faça grudar — Use headlines contra-intuitivas
- Ensaie — Precisa parecer automático
- Aplique o Blink test
- Planeje no analógico primeiro
O Pointmaker
Pegue um pedaço de papel, divida em caixas, depois pegue um marcador preto grosso e escreva sua história com uma frase por caixa.
"Goldilocks foi para a floresta. Ela encontrou uma casa. Ela entrou na casa."
Isso mantém seus slides honestos.
✍️ Exercício: Planeje Uma Apresentação
S.M.I.T. — Qual é a Single Most Important Thing?
Três Atos:
Ato I (hook, mundo atual):
Ato II (outro mundo, solução):
Ato III (retorno, ask):
Escrevendo Briefs Que Funcionam
"A well-considered strategy doesn't care about which creative brief template you have to fill in." — Mark Pollard
Todo mundo tem um template de brief. Nenhum template vai salvar uma estratégia ruim. Uma estratégia boa funciona em qualquer template.
O Problema com Briefs
Muitos briefs são:
- Vagos sobre o problema real
- Cheios de jargão que ninguém usa
- Escritos para impressionar, não para ajudar
- Focados no que o cliente quer, não no que o consumidor precisa
Estrutura Básica de Brief
- O Problema — Uma frase. Perspectiva do consumidor. Linguagem normal. Provocativo.
- A Audiência — Quem são. O que os move. O que os segura.
- O Insight — Verdade humana não-dita que ilumina o problema.
- O Advantage — O que é único E motivador sobre a marca/produto.
- A Strategy Statement — Show that X is Y.
- A Single-Minded Proposition — A essência. Poucas palavras.
- O Tom — Como a comunicação deve sentir.
- Mandatories — O que precisa estar lá. Seja honesto sobre restrições.
Evite Estes Erros
- Propositions genéricas — Linguagem run-of-the-mill
- Linguagem de marketing — Palavras que ninguém usa em conversa normal
- Taglines disfarçadas — O brief não é lugar para tentar escrever o headline
- Muita informação — Se você não consegue resumir, você não entendeu
O Briefing (Não Só o Brief)
O brief é um documento. O briefing é um evento.
- Leia o brief em voz alta
- Conte a história por trás das decisões
- Deixe espaço para perguntas
- Faça os criativos se sentirem donos do problema
✍️ Exercício: Reescreva Um Brief
Pegue um brief que você escreveu ou recebeu recentemente. Reescreva:
Problem (uma frase, linguagem normal):
Insight (verdade não-dita):
Advantage (único E motivador):
Strategy Statement (Show that X is Y):
Proposition (poucas palavras):
Defendendo Estratégia
"Strategy is an informed opinion about how to win. An account planner needs questions that unearth information and then the account planner needs to unearth his or her own opinion about the problem to solve and how to do it." — Mark Pollard
Estratégia é uma opinião. E opiniões precisam ser defendidas.
Por Que Estratégia Precisa de Defesa
"Ideas and idea-havers aren't as safe in corporate America as you'd expect." — Mark Pollard
Muitas pessoas em nossa indústria não são idea-literate. Você pode precisar jogar o jogo mental de ajudá-los a articular a ideia deles sem eles saberem.
Os Três Níveis de Defesa
1. Defesa Interna — Antes de sair da sua mesa:
- Seu pensamento tem um thread claro?
- Você consegue explicar em uma frase?
- Você acredita nisso?
2. Defesa no Time — Antes de sair da agência:
- Ande o pensamento pelo escritório
- Espere que alguém melhore
3. Defesa para o Cliente — Na apresentação:
- Mostre a linha clara do problema à solução
- Antecipe objeções
- Tenha respostas baseadas em pesquisa
Quando Ceder
Nem toda batalha vale a pena. Escolha suas lutas:
- Se é sobre execução e não sobre a ideia: flexível
- Se é sobre a ideia central: defenda
- Se é sobre o insight ou problema: defenda mais ainda
- Se você está errado: admita e adapte
O Ego e a Defesa
"Care and be confident. Both are contagious. Avoid condescension and too much ego." — Mark Pollard
Defender não é brigar. É explicar. É persuadir. Se você está se sentindo atacado pessoalmente, você perdeu o fio. A estratégia não é você.
✍️ Exercício: Prepare Sua Defesa
A linha clara:
Problema:
Insight:
Advantage:
Strategy:
As objeções prováveis:
Objeção 1: _______________
Sua resposta:
Trabalhando com Criativos
"If you're a planner and not doing creative work then you aren't a planner." — Mark Pollard
O estrategista faz trabalho criativo. Isso não significa competir com o departamento criativo. Significa colaborar de verdade.
O Acordo de Mark com Criativos
"Strategy should be about finding insights and then flipping them so that the key output of the strategy is an idea that will get someone to see themselves, the world around them, the product, or the brand differently. It was then the creative job to take this flip and bring it to life in an impactful way." — Mark Pollard
O estrategista encontra o insight e faz o flip. O criativo pega esse flip e traz à vida de forma impactante.
O Conflito Potencial
Times criativos podem achar que um planner que traz um "flip" é intimidante porque eles se perguntam qual é o papel deles.
"But their role is to flip it even further. What a great role." — Mark Pollard
O Que o Estrategista Entrega
O estrategista entrega:
- O problema (claro, humano, provocativo)
- O insight (verdade não-dita)
- A strategy statement (show that X is Y)
- A proposition (poucas palavras)
O estrategista NÃO entrega:
- O headline
- O concept visual
- A execução
- O manifesto final
Como Colaborar
- Defina os termos — O que significa "ideia" para nós? Onde termina meu trabalho e começa o seu?
- Compartilhe cedo — Não chegue com uma estratégia fechada. Convide input.
- Esteja no trabalho — Bons planners querem ver ideias saindo do departamento criativo cedo e frequentemente.
- Aceite que outros podem melhorar — O ponto é o que é feito com a ideia, não quem fez.
O Erro de Território
"Being good at ideas doesn't mean you get to be an asshole." — Mark Pollard
O trabalho é fazer o melhor trabalho chegar ao mundo. Não importa quem teve qual ideia.
✍️ Exercício: O Acordo
Se você trabalha com um time criativo regular:
Meu papel:
Papel do criativo:
Onde colaboramos:
Onde cada um lidera:
Sua Voz Estratégica
"Stay tethered to your own creative spirit. Don't give that away to a company, a boss, a project. You'll have a life after this career but it's even better to have a life while you have this career." — Mark Pollard
O último módulo é sobre você. Sua voz. Sua carreira. Seu espírito criativo.
Encontrando Sua Voz
"A writing practice trumps an infatuation with 'personal brand'." — Mark Pollard
Sua voz não é algo que você fabrica para LinkedIn. É algo que você descobre escrevendo. Muito.
O Que Torna Sua Voz Única
Sua voz vem de:
- Suas experiências únicas
- Suas obsessões
- Suas opiniões (mesmo as impopulares)
- Seu jeito de ver o mundo
Opiniões São Obrigatórias
Se estratégia é uma opinião informada, você precisa ter opiniões. Não pode se esconder atrás de dados esperando que eles decidam por você.
Como Desenvolver Sua Voz
- Escreva todo dia — Não precisa publicar. Mas precisa escrever.
- Leia amplamente — Não só livros de estratégia. Quanto mais referências você tem, mais única é sua combinação.
- Tenha opiniões — Marque posição. Discorde (com educação). Defenda ideias.
- Faça trabalho público — Não espere permissão. Publique pensamentos. Receba feedback. Melhore.
Os Conselhos Finais de Mark
"There aren't many other careers where you get paid to learn, think, meet, travel, listen, express, and understand for a living." — Mark Pollard
"Your job is mischief. Ideas change people and people change the world." — Mark Pollard
"Enough running. It's time to play."
✍️ Exercício Final: Manifesto Pessoal
Escreva seu manifesto como estrategista. Uma página. Sua voz.
Cubra:
- O que você acredita sobre estratégia
- Que tipo de trabalho você quer fazer
- Como você quer trabalhar com outros
- O que você não vai aceitar
- O legado que quer deixar
Comece assim: "Eu sou um estrategista que..."
O Que Este Curso Tentou Fazer
Este curso é uma tradução do trabalho de Mark Pollard para o português. Tentamos manter:
- Suas palavras: Citações diretas sempre que possível
- Seu tom: Provocativo, honesto, anti-corporativo
- Seus exemplos: New York Knicks, tesouras de uva, crise de meia-idade
- Seus frameworks: Four Points, X is Y, o Flip
- Sua filosofia: Estratégia é arte, não ciência
O Que Você Deveria Fazer Agora
- Leia o livro: "Strategy Is Your Words" é 400 páginas de profundidade que este curso só arranha a superfície
- Ouça o podcast: Sweathead tem centenas de episódios com estrategistas do mundo todo
- Siga Mark: @markpollard no Instagram e Twitter para doses diárias de provocação
- Pratique: Nenhum curso substitui fazer o trabalho
As Citações Para Lembrar
"Strategy is your words. Start with words, continue with words, and finish with words."
"Account planning is part-science and part-intuition. But it's closer to art than it is to economics, closer to absurdism than logic, closer to comedy than business."
"Ideas are useful combinations of things that don't usually belong together."
"Insights are unspoken human truths, truths the subconscious recognizes when it sees them."
"Your job is mischief. Ideas change people and people change the world."
Referências
Livro:
- Pollard, Mark. "Strategy Is Your Words: A Strategist's Fight for Meaning." Sweathead, 2020.
Recursos Online:
- markpollard.net — Artigos e técnicas
- sweathead.co — Comunidade e cursos
- @markpollard — Desenhos e técnicas diárias
- Sweathead Podcast — 500+ episódios
Você chegou ao fim deste curso. Mas o trabalho real está apenas começando.