08 de Março de 2026 · Estratégia de Marketing

Estratégia de Marketing

TL;DR

Em 1996, a Procter & Gamble cortou a frequência de alguns de seus planos de mídia de 3-4 exposições semanais para 1-2, e as vendas não caíram. A P&G economizou dezenas de milhões de dólares com base em uma pesquisa de John Philip Jones com 2.000 domicílios americanos, que mostrou o seguinte: uma única exposição ao anúncio nos 7 dias antes da compra tem mais efeito sobre a decisão do que dez exposições espalhadas pelo mês anterior. O mito da frequência eficaz, a crença de que repetição é o motor da publicidade, foi construído sobre um mal-entendido. Este artigo explica o mecanismo, as evidências e o que muda na prática.

O dogma que moveu bilhões

Durante décadas, o planejamento de mídia operou com uma crença central: para que um anúncio funcione, o consumidor precisa vê-lo pelo menos três vezes. Esse número veio de Herbert Krugman, pesquisador da General Electric, que publicou em 1972 um paper influente na Journal of Advertising Research descrevendo três estágios cognitivos de processamento de uma mensagem publicitária: curiosidade, reconhecimento e decisão. Três exposições, três estágios. Simples.

O problema: Krugman nunca disse que três exposições são suficientes para converter uma compra. Ele descreveu um processo cognitivo de longo prazo para construção de memória de marca. A indústria pegou sua teoria, trocou o contexto e transformou em regra de mídia.

Nasceu assim o conceito de "frequência eficaz", a ideia de que existe um número mínimo de exposições abaixo do qual o anúncio não funciona. Algumas agências colocaram esse número em 3. Outras em 5. Algumas chegaram a 7. A "regra dos 7" virou sabedoria de corredor, repetida em briefings de mídia como se fosse lei da física.

O resultado prático: anunciantes concentravam suas verbas em períodos curtos de alta pressão, os chamados "flights", com o objetivo de atingir o consumidor múltiplas vezes em poucas semanas. A lógica era bater na frequência mínima necessária para garantir o efeito.

Essa lógica custou bilhões em mídia desperdiçada. E a evidência contra ela já existia desde o início dos anos 1990.

O experimento que ninguém queria ver

John Philip Jones era professor de publicidade na Universidade de Syracuse e ex-diretor de planejamento da J. Walter Thompson em vários países. Em 1995, ele publicou When Ads Work, um livro baseado em dados que até então não haviam sido analisados dessa forma.

A pesquisa usou "single-source data": dados coletados de 2.000 domicílios americanos pelo Nielsen, que cruzavam simultaneamente dois registros: (1) qual anúncio de TV o domicílio havia visto e (2) o que esse mesmo domicílio havia comprado no supermercado, capturado por scanner nas gôndolas. Pela primeira vez, era possível rastrear a cadeia entre exposição publicitária e compra real, em nível de domicílio individual.

Jones analisou 142 marcas de bens de consumo e mediu o efeito de curto prazo de cada exposição publicitária sobre a probabilidade de compra. O resultado foi chamado por ele de STAS (Short-Term Advertising Strength).

70% das marcas testadas mostraram aumento mensurável de vendas
a partir de uma única exposição nos 7 dias anteriores à compra

Mas o achado mais perturbador não foi esse. Foi o que aconteceu com as exposições seguintes.

Jones descobriu que a primeira exposição era a de maior impacto. A segunda exposição adicionava algum efeito incremental, mas menor. A terceira, ainda menor. A partir da quarta, o efeito marginal tornava-se estatisticamente irrelevante, ou até negativo, sugerindo desgaste criativo.

Isso inverte o pressuposto da frequência eficaz. A indústria assumia que o efeito crescia com a repetição, que exposições acumuladas construíam uma pressão que eventualmente convertia. Jones mostrou que o efeito de curto prazo é decrescente: a primeira exposição é a mais valiosa, e o valor marginal de cada exposição subsequente cai rapidamente.

O que Lodish confirmou com 389 experimentos

No mesmo ano de 1995, Leonard Lodish e colegas publicaram na Journal of Marketing Research uma meta-análise de 389 experimentos de TV realizados ao longo de dez anos pela empresa IRI com single-source data. A conclusão complementou Jones de forma decisiva.

Em 55% dos casos, aumentar a frequência de TV não produziu aumento mensurável de vendas. Quando o efeito aparecia, era concentrado em situações específicas: marcas em fase de lançamento, mudanças criativas significativas ou novos segmentos de consumidores sendo atingidos pela primeira vez. Para marcas estabelecidas com criativos conhecidos, o retorno incremental da frequência adicional era mínimo.

Lodish também identificou algo que mudaria o debate sobre planejamento de mídia: em muitos casos, seria mais eficiente destinar o mesmo orçamento para atingir mais pessoas com uma exposição cada, do que atingir menos pessoas com múltiplas exposições.

Alcance batia frequência. Pelo menos no curto prazo.

Erwin Ephron e a Teoria da Recência

Em 1997 e 1998, Erwin Ephron, consultor de mídia americano, sistematizou essas pesquisas em um framework que chamou de "Recency Planning". O argumento central era simples e radical: o objetivo primário do planejamento de mídia deve ser interceptar o consumidor no momento em que ele está próximo de uma decisão de compra, não acumular exposições ao longo do tempo.

"O planejamento de recência pergunta quando o consumidor vai comprar, não quantas vezes ele viu o anúncio." Erwin Ephron, Journal of Advertising Research, 1997

Ephron argumentou que as compras são disparadas por eventos da vida cotidiana: uma caixa de cereal vazia, um carro com o prazo do leasing vencendo, uma geladeira que parou de funcionar. O anúncio não cria a necessidade; ele influencia a escolha de marca no momento em que a necessidade já existe. Portanto, a pergunta certa não é "quantas vezes o consumidor viu meu anúncio?". A pergunta certa é: "meu anúncio estava presente quando o consumidor entrou em modo de compra?"

A implicação prática era contrária a décadas de prática de mídia: em vez de concentrar pressão em "flights" de alta frequência intercalados por períodos de silêncio, as marcas deveriam manter presença contínua e de baixa intensidade ao longo do ano inteiro. Chegar a mais consumidores diferentes cada semana, mesmo que com uma única exposição por domicílio, era mais eficiente do que saturar os mesmos consumidores repetidamente.

Flights vs. Continuous: a diferença na prática

Estratégia tradicional (flights): 4 semanas de alta pressão (10 GRPs/semana), seguidas de 8 semanas de silêncio. Resultado: alta frequência para quem viu, mas zero presença por 2/3 do período.

Recency planning (continuous): 12 semanas com pressão distribuída (3-4 GRPs/semana). Resultado: frequência menor por domicílio, mas presença semanal garantida para interceptar consumidores que entraram em compra em qualquer semana do período.

Com o mesmo orçamento, a segunda estratégia maximiza a probabilidade de estar presente no "momento de compra": a janela de 7 dias identificada por Jones como a de maior efeito.

A P&G como laboratório

A Procter & Gamble não adotou o recency planning por teoria. Adotou porque testou. Em meados dos anos 1990, a empresa conduziu experimentos internos em mercados selecionados, variando a frequência de exposição de TV para marcas como Tide e Pampers. Os resultados alinharam-se com o que Jones e Lodish haviam publicado: reduzir frequência de 3-4 para 1-2 exposições semanais não diminuía as vendas de forma significativa em categorias de compra repetida com alto awareness.

O efeito colateral foi um corte de dezenas de milhões de dólares em compra de mídia. Com o mesmo orçamento redistribuído em alcance contínuo, atingindo mais consumidores com menos repetição, a eficiência de mídia aumentou.

Quando a maior anunciante do mundo muda sua estratégia de mídia com base em pesquisa e apresenta resultados positivos, a indústria ouve. Agências de mídia que trabalhavam com a P&G foram obrigadas a adaptar seus modelos de planejamento. O conceito de "frequência mínima eficaz" passou a ser questionado abertamente em congressos de mídia pela primeira vez em décadas.

O erro de categoria que sustentou o mito

Entender por que o mito da frequência resistiu tanto tempo exige voltar à origem. Krugman descreveu exposições em um contexto de construção de memória de longo prazo: como a publicidade cria estruturas cognitivas que tornam uma marca mentalmente disponível ao longo de meses e anos. Isso é real e está bem documentado: para criar e manter disponibilidade mental de marca (o que Byron Sharp chama de Mental Availability), é necessária exposição repetida ao longo do tempo.

O erro não foi Krugman. O erro foi a indústria aplicar um princípio de longo prazo a uma decisão de curto prazo. São dois mecanismos distintos.

O efeito de curto prazo, que é influenciar a escolha de marca na próxima compra, é mais sensível à recência do que à frequência acumulada. Uma exposição recente tem mais força sobre a decisão imediata do que dez exposições antigas.

O efeito de longo prazo, que é construir estruturas de memória, associações de marca, disponibilidade mental, é sensível à exposição cumulativa e consistente ao longo do tempo. Aqui, frequência e alcance repetido importam.

Binet e Field, em seu trabalho com o banco de dados da IPA cobrindo centenas de casos de eficácia publicitária, consolidaram essa distinção na regra 60:40: aproximadamente 60% do investimento deveria ir para brand building de longo prazo e 40% para ativação de curto prazo. São objetivos diferentes que requerem lógicas de mídia diferentes.

Planejamento de recência não mata brand building. Ele recalibra o objetivo de curto prazo: garantir presença na janela de compra, sem substituir o trabalho de longo prazo de construção de marca.

O que muda no digital

Em meios digitais, a lógica da recência ganha uma camada extra de precisão. Plataformas como Google e Meta permitem segmentação por intenção: "in-market audiences" identificadas por comportamento de busca, visitas a páginas de produto, comparação de preços. Isso é recency planning com dados de intenção em tempo real: o consumidor sinalizou que está na janela de compra, e o anúncio o intercepta nesse exato momento.

A ironia é que o digital poderia ter eliminado o desperdício de frequência muito antes. Em vez disso, muitas campanhas digitais replicaram o mesmo erro do broadcast: acumular impressões nos mesmos usuários, criar campanhas de retargeting agressivas que perseguem o mesmo cookie por semanas, confundindo presença com saturação.

A pesquisa de Jones não envelheceu. Ficou mais relevante. A janela de 7 dias que ele identificou nos dados de scanner de supermercado nos anos 1990 encontra seu equivalente digital nos dados de intenção que definem o "in-market moment" de hoje.

O que isso significa para quem planeja

5 perguntas para auditar seu plano de mídia

A questão central que Ephron deixou como herança é sobre quando, não sobre volume. Publicidade funciona melhor quando está no lugar certo no momento certo. O trabalho do planejamento de mídia é maximizar a probabilidade de esse encontro acontecer. Acumular exposições como se quantidade garantisse efeito é o caminho do desperdício.

O consumidor não está sempre disponível. Ele entra e sai de janelas de compra o tempo todo. A variável mais importante é se você estava presente quando ele estava pronto para ouvir.


Referências

Livros

  • Jones, John Philip. When Ads Work: New Proof That Advertising Triggers Sales. Lexington Books, 1995.
  • Sharp, Byron. How Brands Grow: What Marketers Don't Know. Oxford University Press, 2010.
  • Binet, Les & Field, Peter. The Long and the Short of It. IPA, 2013.

Artigos Acadêmicos

  • Krugman, Herbert. "Why Three Exposures May Be Enough." Journal of Advertising Research, 12(6), 1972.
  • Lodish, Leonard et al. "How T.V. Advertising Works: A Meta-Analysis of 389 Real World Split Cable T.V. Advertising Experiments." Journal of Marketing Research, 32(2), 1995.
  • Ephron, Erwin. "Recency Planning." Journal of Advertising Research, 37(4), 1997.
  • McDonald, Colin. "What Is the Short-Term Effect of Advertising?" ESOMAR, 1971.
  • Jones, John Philip. "Single-Source Research Begins to Fulfill Its Promise." Journal of Advertising Research, 35(3), 1995.

Casos e Fontes de Indústria

  • Ephron, Erwin. "More Weeks, Less Weight: The Shelf-Space Model of Advertising." Journal of Advertising Research, 1995.
  • Broadbent, Simon. The Advertising Budget. IPA/NTC Publications, 1989.
  • Binet, Les & Field, Peter. Marketing in the Era of Accountability. IPA, 2007.
  • Romaniuk, Jenni & Sharp, Byron. How Brands Grow: Part 2. Oxford University Press, 2015.
Marketing Strategy

TL;DR

In 1996, Procter & Gamble cut the frequency of some media plans from 3-4 weekly exposures to 1-2, and sales held. P&G saved tens of millions based on research by John Philip Jones using 2,000 U.S. households, which showed this: a single ad exposure in the 7 days before a purchase has more effect on the buying decision than ten exposures spread across the prior month. The effective frequency myth, the belief that repetition drives advertising, was built on a misunderstanding. This article explains the mechanism, the evidence, and what changes in practice.

The dogma that moved billions

For decades, media planning operated on a core belief: for an ad to work, the consumer needs to see it at least three times. That number came from Herbert Krugman, a researcher at General Electric who published an influential 1972 paper in the Journal of Advertising Research describing three cognitive stages of processing an advertising message: curiosity, recognition, and decision. Three exposures, three stages. Simple.

The problem: Krugman never said three exposures are enough to trigger a purchase. He described a long-term cognitive process for building brand memory. The industry took his theory, swapped the context, and turned it into a media rule.

That's how "effective frequency" was born, the idea that there's a minimum number of exposures below which advertising doesn't work. Some agencies put that number at 3. Others at 5. Some reached 7. The "rule of 7" became hallway wisdom, repeated in media briefs as if it were a law of physics.

The practical result: advertisers concentrated budgets into short bursts of high pressure, known as "flights", aiming to reach the consumer multiple times within a few weeks. The logic was to hit the minimum frequency needed to guarantee the effect.

That logic cost billions in wasted media. And the evidence against it had existed since the early 1990s.

The experiment nobody wanted to see

John Philip Jones was a professor of advertising at Syracuse University and former planning director at J. Walter Thompson across several countries. In 1995, he published When Ads Work, a book built on data that had never been analyzed this way.

The research used single-source data, collected from 2,000 U.S. households by Nielsen, cross-referencing two simultaneous records: (1) which TV ad the household had seen, and (2) what that same household had purchased at the supermarket, captured by scanner at checkout. For the first time, it was possible to trace the chain from ad exposure to real purchase at the individual household level.

Jones analyzed 142 consumer goods brands and measured the short-term effect of each advertising exposure on purchase probability. He called this STAS (Short-Term Advertising Strength).

70% of brands tested showed measurable sales increases
from a single exposure in the 7 days before purchase

But the most unsettling finding wasn't that. It was what happened with subsequent exposures.

Jones found that the first exposure had the highest impact. The second added some incremental effect, but smaller. The third, smaller still. From the fourth onward, the marginal effect became statistically irrelevant, or even negative, suggesting creative wear-out.

This inverts the effective frequency assumption. The industry assumed that effect grew with repetition, that accumulated exposures built pressure that eventually converted. Jones showed that the short-term effect is decreasing: the first exposure is the most valuable, and the marginal value of each subsequent exposure drops rapidly.

What Lodish confirmed with 389 experiments

In the same year of 1995, Leonard Lodish and colleagues published in the Journal of Marketing Research a meta-analysis of 389 TV experiments conducted over ten years by IRI using single-source data. The conclusion complemented Jones decisively.

In 55% of cases, increasing TV frequency produced no measurable sales increase. When an effect appeared, it was concentrated in specific situations: brand launches, significant creative changes, or new consumer segments being reached for the first time. For established brands with familiar creatives, the incremental return from additional frequency was minimal.

Lodish also identified something that would shift the media planning debate: in many cases, it would be more effective to allocate the same budget to reach more people with one exposure each, rather than reaching fewer people with multiple exposures.

Reach beat frequency. At least in the short term.

Erwin Ephron and Recency Theory

In 1997 and 1998, Erwin Ephron, an American media consultant, systematized this research into a framework he called "Recency Planning." The core argument was simple and radical: the primary goal of media planning should be to intercept consumers when they are close to a purchase decision, not to accumulate exposures over time.

"Recency planning asks when the consumer is going to buy, not how many times they've seen the ad." Erwin Ephron, Journal of Advertising Research, 1997

Ephron argued that purchases are triggered by life events: an empty cereal box, a car lease expiring, a refrigerator that stopped working. The ad doesn't create the need; it influences brand choice when the need already exists. Therefore, the right question isn't "how many times has the consumer seen my ad?". The right question is: "was my ad present when the consumer entered buying mode?"

The practical implication ran counter to decades of media practice: instead of concentrating pressure in high-frequency flights interspersed with silence, brands should maintain continuous, low-intensity presence throughout the year. Reaching more different consumers each week, even with just one exposure per household, was more efficient than saturating the same consumers repeatedly.

Flights vs. Continuous: the difference in practice

Traditional strategy (flights): 4 weeks of high pressure (10 GRPs/week), followed by 8 weeks of silence. Result: high frequency for those who saw it, but zero presence for two-thirds of the period.

Recency planning (continuous): 12 weeks with distributed pressure (3-4 GRPs/week). Result: lower frequency per household, but guaranteed weekly presence to intercept consumers who entered buying mode in any week of the period.

With the same budget, the second strategy maximizes the probability of being present at the "purchase moment": the 7-day window Jones identified as the highest-effect period.

P&G as the laboratory

Procter & Gamble didn't adopt recency planning through theory. They tested it. In the mid-1990s, the company ran internal experiments in selected markets, varying TV exposure frequency for brands like Tide and Pampers. Results aligned with what Jones and Lodish had published: reducing frequency from 3-4 to 1-2 weekly exposures didn't significantly reduce sales in high-awareness, high-repeat-purchase categories.

The side effect was a cut of tens of millions of dollars in media buying. With the same budget redistributed into continuous reach, reaching more consumers with less repetition, media efficiency increased.

When the world's largest advertiser changes its media strategy based on research and shows positive results, the industry listens. Media agencies working with P&G were forced to adapt their planning models. The concept of "minimum effective frequency" began to be publicly questioned at media conferences for the first time in decades.

The category error that sustained the myth

Understanding why the frequency myth held so long requires going back to the source. Krugman described exposures in the context of long-term memory building: how advertising creates cognitive structures that make a brand mentally available over months and years. This is real and well-documented: to create and maintain mental brand availability (what Byron Sharp calls Mental Availability), repeated exposure over time is necessary.

The error wasn't Krugman. The error was the industry applying a long-term principle to a short-term decision. These are two distinct mechanisms.

The short-term effect, which is influencing brand choice on the next purchase, is more sensitive to recency than to accumulated frequency. A recent exposure has more force on the immediate decision than ten old exposures.

The long-term effect, which is building memory structures, brand associations, mental availability, is sensitive to cumulative and consistent exposure over time. Here, frequency and repeated reach matter.

Binet and Field, in their work with the IPA databank covering hundreds of advertising effectiveness cases, consolidated this distinction in the 60:40 rule: roughly 60% of investment should go to long-term brand building and 40% to short-term activation. These are different objectives requiring different media logics.

Recency planning doesn't kill brand building. It recalibrates the short-term objective, ensuring presence in the purchase window, without replacing the long-term work of brand construction.

What changes in digital

In digital media, the recency logic gains an additional layer of precision. Platforms like Google and Meta allow targeting by intent: "in-market audiences" identified by search behavior, product page visits, price comparisons. This is recency planning with real-time intent data: the consumer has signaled they're in the buying window, and the ad intercepts them at that exact moment.

The irony is that digital could have eliminated frequency waste much earlier. Instead, many digital campaigns replicated the same broadcast error: accumulating impressions on the same users, building aggressive retargeting campaigns that chase the same cookie for weeks, confusing presence with saturation.

Jones's research hasn't aged. It's become more relevant. The 7-day window he identified in 1990s scanner data finds its digital equivalent in the intent signals that define today's "in-market moment."

What this means for planners

5 questions to audit your media plan

The central question Ephron left as his legacy is about when. Advertising works best when it's in the right place at the right time. The job of media planning is to maximize the probability of that meeting happening. Accumulating exposures as if quantity guaranteed effect is the path to waste.

The consumer isn't always available. They enter and exit buying windows constantly. The most important variable is whether you were present when they were ready to listen.


References

Books

  • Jones, John Philip. When Ads Work: New Proof That Advertising Triggers Sales. Lexington Books, 1995.
  • Sharp, Byron. How Brands Grow: What Marketers Don't Know. Oxford University Press, 2010.
  • Binet, Les & Field, Peter. The Long and the Short of It. IPA, 2013.

Academic Articles

  • Krugman, Herbert. "Why Three Exposures May Be Enough." Journal of Advertising Research, 12(6), 1972.
  • Lodish, Leonard et al. "How T.V. Advertising Works: A Meta-Analysis of 389 Real World Split Cable T.V. Advertising Experiments." Journal of Marketing Research, 32(2), 1995.
  • Ephron, Erwin. "Recency Planning." Journal of Advertising Research, 37(4), 1997.
  • McDonald, Colin. "What Is the Short-Term Effect of Advertising?" ESOMAR, 1971.
  • Jones, John Philip. "Single-Source Research Begins to Fulfill Its Promise." Journal of Advertising Research, 35(3), 1995.

Cases and Industry Sources

  • Ephron, Erwin. "More Weeks, Less Weight: The Shelf-Space Model of Advertising." Journal of Advertising Research, 1995.
  • Broadbent, Simon. The Advertising Budget. IPA/NTC Publications, 1989.
  • Binet, Les & Field, Peter. Marketing in the Era of Accountability. IPA, 2007.
  • Romaniuk, Jenni & Sharp, Byron. How Brands Grow: Part 2. Oxford University Press, 2015.