13 de Março de 2026 · Mitos Desmentidos

O Mito do Propósito de Marca

Mitos Desmentidos

TL;DR

O Ehrenberg-Bass Institute mediu o quanto consumidores conhecem o propósito de 32 marcas celebradas como "purpose-led" nos EUA, Reino Unido e Austrália. Resultado: 18% de reconhecimento médio, incluindo chutes. Byron Sharp avisa que propósito torna marcas homogêneas. Ritson chama de purpose washing o padrão de marcas que pregam valores enquanto agem ao contrário. A metodologia do livro Grow, de Stengel, é viés de sobrevivência com verniz de dado. O que a ciência realmente diz sobre crescimento de marcas está aqui.

O anúncio que durou 24 horas

Em abril de 2017, a Pepsi lançou um filme publicitário de dois minutos. Kendall Jenner, em meio a um protesto genérico, caminha até um policial e lhe entrega uma lata de Pepsi. O policial sorri. O protesto se dissolve em abraços. Uma marca de refrigerante resolveu a tensão racial nos Estados Unidos com um gesto simbólico e uma bebida fria.

O anúncio ficou no ar por menos de 24 horas. A resposta foi imediata. A família de Philando Castile, assassinado por um policial em 2016, se manifestou publicamente. A mídia desmontou o simbolismo como trivialização do Black Lives Matter. A Pepsi emitiu pedido de desculpas, retirou o filme e declarou que "errou o alvo."

O erro de execução foi óbvio. O que o caso expõe vai além da campanha. O anúncio ilustra com precisão o que acontece quando propósito existe apenas na narrativa publicitária, desconectado de qualquer decisão real da empresa. Isso é purpose washing. E o mercado está cheio disso.

A crença que o mercado abraçou

O mantra da última década no marketing: marcas com propósito crescem mais rápido, vendem mais, constroem fidelidade mais sólida e se tornam mais resilientes em crises.

A afirmação tem apoio aparente em dados. Jim Stengel, ex-diretor global de marketing da Procter & Gamble, publicou em 2012 o livro Grow, em que analisou 50 marcas com propósito declarado e concluiu que elas superaram o S&P 500 em 400% ao longo de 10 anos. A pesquisa da Edelman de 2019 apontou que 81% dos consumidores esperam que marcas tomem posição em questões sociais. A Nielsen indicou que 66% pagariam mais por produtos de empresas com compromisso social.

O mercado absorveu isso como verdade. Propósito entrou nos briefs, nos manifestos, nas apresentações de pitch. Toda agência tem um framework de brand purpose. Todo cliente quer saber o "porquê" da marca, além do produto.

O problema: a ciência não confirmou nada disso.

O que os dados realmente mostram

Em 2021, o Ehrenberg-Bass Institute for Marketing Science publicou um estudo conduzido por Jenni Romaniuk e colaboradores nos EUA, Reino Unido e Austrália. O objeto de análise eram 32 marcas amplamente celebradas como exemplos de purpose-driven marketing: marcas que investiram de forma consistente e pública na comunicação de um propósito social ou ambiental.

A pergunta era simples. Os consumidores sabem qual é o propósito dessas marcas?

18%

Reconhecimento médio do propósito de marca entre consumidores de 32 marcas "purpose-led"
EUA, Reino Unido e Austrália — incluindo respostas estimadas como chutes
Ehrenberg-Bass Institute, 2021

Algumas marcas chegaram a 9% de reconhecimento. Para propósitos que exigiam mais do que reconhecimento superficial, os números caíam ainda mais. Para cada 100 consumidores de uma marca com propósito declarado, 82 não sabem qual é esse propósito.

O estudo concluiu diretamente: "O impacto comercial do brand purpose como estratégia de marketing é frequentemente superestimado e carece de suporte empírico confiável."

Byron Sharp, diretor do Ehrenberg-Bass Institute e autor de How Brands Grow, vinha alertando sobre esse risco há anos. O argumento de Sharp é científico, não moral. Se todas as marcas de uma categoria adotam propósitos sociais semelhantes, todas ficam iguais. Diferenciação via propósito é facilmente copiada. Marcas próprias de supermercado replicam qualquer propósito declarado sem o custo da mídia. O que resta é, na prática, um slogan sem distinção.

"Purpose could be the death of brands. As brands adopt similar social purposes, they all begin to sound the same, and supermarket own-labels can replicate any stated purpose without the media cost." Byron Sharp, Marketing Week, 2021

Mark Ritson, professor do Mini MBA in Marketing e colunista da Marketing Week, chegou ao mesmo diagnóstico por caminho diferente. Ritson analisou o padrão de marcas que constroem propósito na comunicação enquanto agem ao contrário nos negócios. A Starbucks fala em "comunidade" enquanto estrutura sua contabilidade para minimizar impostos locais. A Gillette promove masculinidade positiva enquanto cobra, em média, 40% a mais por produtos femininos equivalentes. O nome que Ritson deu a esse padrão: purpose washing. Adoção performática de valores sem integração genuína nas operações da empresa.

A crítica ao estudo de Stengel é cirúrgica. A metodologia de Grow selecionou as 50 marcas depois de conhecer os resultados financeiros, não antes. Viés de sobrevivência com verniz de dado. O mesmo raciocínio justificaria qualquer hipótese, inclusive a de que marcas com logos redondos crescem mais rápido.

A Harvard Business Review publicou em 2019 um número que captura o problema com precisão: 65% dos consumidores dizem querer comprar de marcas que compartilham seus valores. Apenas 26% realmente fazem isso. O gap entre intenção e comportamento é de 39 pontos percentuais. Em pesquisas de intenção, as pessoas dizem o que gostariam de fazer. Na gôndola, fazem o que é mais fácil, mais barato ou mais familiar.

O que cresce marcas de verdade

Se propósito não resolve o problema de crescimento, o que resolve?

Sharp e Romaniuk passaram décadas analisando dados de compra de milhares de consumidores em dezenas de categorias. A conclusão vai contra o que a maioria dos briefs pressupõe: crescimento vem de penetração, não de lealdade. De chegar a mais pessoas, não de aprofundar relação com as atuais.

O comprador médio de qualquer categoria compra a marca com baixa frequência. A maioria dos compradores de qualquer grande marca compra aquela marca ocasionalmente, junto com produtos de outras marcas na mesma categoria. Esse é o perfil real do comprador. Para crescer, a marca precisa ser lembrada e encontrada por esse comprador leve.

Disponibilidade mental: estar presente na memória quando a categoria for considerada. Disponibilidade física: estar no ponto de venda na hora da compra. Ativos distintivos: elementos visuais, sonoros ou verbais que ativam reconhecimento de forma automática, sem esforço cognitivo.

Os dois pilares do crescimento de marcas

Disponibilidade mental: a marca está presente na memória do consumidor nas situações de compra relevantes. Construída por publicidade de alcance amplo e consistente ao longo do tempo. Medida por atributos de memória, não por propósito.

Disponibilidade física: a marca está acessível no momento e no lugar em que a decisão de compra é tomada. Distribuição, presença em gôndola, posição em marketplace, visibilidade no ponto de venda digital e físico.

Propósito pode, em condições muito específicas, contribuir para disponibilidade mental. Mas apenas quando conhecido pelo consumidor, o que o estudo Ehrenberg-Bass mostra acontecer em 18% dos casos.

Propósito comunica um valor que, segundo o estudo Ehrenberg-Bass, 82% dos compradores leves sequer conhecem. É investimento em mensagem que não chega, para uma audiência que compra de forma automática, por disponibilidade e familiaridade, não por alinhamento ideológico.

Três casos, três lições diferentes

Dove Real Beauty — a exceção que confirma a regra

Em 2004, uma pesquisa global da Dove revelou que apenas 4% das mulheres se sentiam confiantes com a própria aparência. A empresa usou esse dado para lançar a campanha Real Beauty: mulheres reais, de diferentes idades, tamanhos e etnias, sem retoques digitais. As vendas da linha Dove cresceram de cerca de 200 milhões de dólares para mais de 4 bilhões ao longo da década seguinte.

Funcionou. Por duas décadas, a Dove mantém essa narrativa com consistência. Três fatores distinguem o caso. O propósito estava ancorado em um insight medido e concreto. A marca mudou o que fazia no próprio produto e comunicação, sem entrar em debates políticos externos ao seu território. A consistência é de 20 anos sem desvio.

A Dove é o caso que os defensores de brand purpose citam sempre. Exatamente porque é exceção. Pouquíssimas marcas conseguiram replicar o processo ou o resultado.

Gillette We Believe — quando propósito divide

Em janeiro de 2019, a Gillette lançou "We Believe: The Best Men Can Be", uma releitura do slogan clássico com crítica direta à masculinidade tóxica, assédio e bullying. A resposta foi polarizante. Parte do público apoiou. Outra parte convocou boicote. No mesmo ano, a Procter & Gamble registrou uma baixa contábil de 8 bilhões de dólares em goodwill na divisão Gillette, atribuída oficialmente à concorrência de marcas próprias e à mudança nos hábitos de barba.

O caso ilustra o mecanismo que Sharp descreve. Quando a marca toma posição em comportamento social, ela divide a base de consumidores em potencial. Divisão em marketing é o oposto do que o Ehrenberg-Bass Institute prescreve para crescimento: atingir compradores leves, ampliar penetração de mercado, maximizar o número de pessoas que conhecem e compram a marca.

Patagonia — o caso que ninguém quer copiar

A Patagonia é o modelo favorito dos defensores de brand purpose. Com razão: o fundador Yvon Chouinard doou a empresa em 2022 para uma estrutura sem fins lucrativos voltada para preservação ambiental. As vendas cresceram. A base de clientes é consistente e vocal.

O problema com Patagonia como modelo de referência: pouquíssimas empresas estão dispostas a fazer o que a Patagonia faz. Chouinard recusou linhas de produto lucrativas porque contradiziam os valores ambientais da empresa. Isso é propósito real. E custa dinheiro real.

"A true brand purpose doesn't boost profit. It sacrifices it." Mark Ritson, Marketing Week

Propósito autêntico é restrição estratégica, não ferramenta de crescimento. Marcas que comunicam propósito como vantagem comercial estão vendendo o que não têm.

Como identificar propósito real

Quatro perguntas para separar propósito de manifesto

A implicação real para quem toma decisão

O propósito de marca pode ser legítimo. Pode ser integrado, consistente, genuíno. Em condições específicas, com décadas de consistência e restrições operacionais reais, pode criar vantagem de longo prazo. Dove e Patagonia existem.

A questão está no que o mercado fez com o conceito: transformou um princípio de gestão raro e custoso em módulo obrigatório de qualquer brief de agência.

Quando propósito vira commodity, o efeito é o que Sharp descreveu. Marcas que deveriam ser distintivas ficam iguais. Cada uma com sua causa, seu manifesto, sua paleta de impacto. Todas dizendo a mesma coisa com fontes diferentes. O resultado: nenhuma delas é lembrada pelo propósito que proclama.

O que cresce marcas, segundo a ciência disponível, é disponibilidade mental e física. Estar presente na memória do consumidor nos momentos de compra. Estar no ponto de venda quando a decisão é tomada. Ter ativos distintivos que ativam reconhecimento sem esforço cognitivo.

Propósito pode complementar esses mecanismos, em condições raras e específicas. Como atalho para crescimento, os dados são claros. Os 82% que não sabem qual é o propósito da marca que compram toda semana confirmam isso com exatidão.


Referências

Livros

  • Sharp, Byron. How Brands Grow: What Marketers Don't Know. Oxford University Press, 2010.
  • Romaniuk, Jenni & Sharp, Byron. How Brands Grow: Part 2. Oxford University Press, 2015.
  • Stengel, Jim. Grow: How Ideals Power Growth and Profit at the World's Greatest Companies. Crown Business, 2012.
  • Ritson, Mark. Mini MBA in Marketing. Marketing Week, diversas edições.

Artigos e Pesquisas

  • Romaniuk, Jenni et al. "Brand purpose: are consumers aware to care?" Ehrenberg-Bass Institute for Marketing Science, 2021.
  • Edelman. Edelman Trust Barometer Special Report: In Brands We Trust? 2019.
  • Harvard Business Review. "The Elusive Green Consumer." HBR, julho-agosto de 2019.
  • Nielsen. The Sustainability Imperative: New Insights on Consumer Expectations. 2015.
  • Sharp, Byron. "Purpose could be the death of brands." Marketing Week, 2021.
  • Ritson, Mark. "Stop propping up brand purpose with contrived data and hypocrisy." Marketing Week, 2019.

Fontes Primárias

  • Dove. Real Beauty Sketches — Unilever, 2013. Campanha conduzida por Ogilvy Brasil.
  • Gillette. "We Believe: The Best Men Can Be." Procter & Gamble, janeiro de 2019.
  • Pepsi. "Jump In." Pepsi-Cola Company, abril de 2017.
  • Chouinard, Yvon. "Earth Is Now Our Only Shareholder." Patagonia, setembro de 2022.

Diego Isaac

Estrategista de marcas com mais de 10 anos na interseção entre ciência de marca, comportamento do consumidor e comunicação.

diegoisaac.com.br
Myths Debunked

TL;DR

The Ehrenberg-Bass Institute measured consumer awareness of brand purpose for 32 celebrated "purpose-led" brands in the US, UK and Australia. Result: 18% average recognition, including guesses. Byron Sharp warns that purpose makes brands homogeneous. Ritson calls purpose washing the pattern of brands preaching values while acting otherwise. Stengel's Grow methodology is survivorship bias with a data veneer. What science actually says about brand growth is here.

The ad that lasted 24 hours

In April 2017, Pepsi launched a two-minute ad. Kendall Jenner, in the middle of a generic protest, walks up to a police officer and hands him a Pepsi can. The officer smiles. The protest dissolves into hugs. A soft drink brand solved racial tension in the United States with a symbolic gesture and a cold drink.

The ad lasted less than 24 hours. Public response was immediate. The family of Philando Castile, killed by a police officer in 2016, spoke out. The media dismantled the symbolism as a trivialization of the Black Lives Matter movement. Pepsi issued a public apology, pulled the film, and said they "missed the mark."

The execution error was obvious. What the case exposes goes beyond the campaign. The ad illustrates precisely what happens when purpose exists only in advertising narrative, disconnected from any real decision the company makes. This is purpose washing. And the market is full of it.

The belief the market embraced

The marketing mantra of the last decade: brands with purpose grow faster, sell more, build stronger loyalty, and become more resilient in crises.

The claim has apparent data support. Jim Stengel, former Global CMO of Procter & Gamble, published in 2012 the book Grow, analyzing 50 brands with stated purpose and concluding they outperformed the S&P 500 by 400% over 10 years. Edelman's 2019 research showed 81% of consumers expect brands to take a stand on social issues. Nielsen indicated 66% would pay more for products from companies with social commitment.

The market absorbed this as truth. Purpose entered briefs, brand manifestos, pitch presentations. Every agency has a brand purpose framework. Every client wants to know the brand's "why," beyond the product.

The problem: science confirmed none of it.

What the data actually shows

In 2021, the Ehrenberg-Bass Institute for Marketing Science published a study conducted by Jenni Romaniuk and colleagues in the US, UK and Australia. The subject: 32 brands widely celebrated as purpose-driven marketing examples, brands that consistently and publicly invested in communicating a social or environmental purpose.

The question was simple. Do consumers know what the purpose of these brands is?

18%

Average consumer recognition of brand purpose across 32 "purpose-led" brands
US, UK and Australia — including estimated guesses
Ehrenberg-Bass Institute, 2021

Some brands reached as low as 9% recognition. For purposes requiring more than surface-level recall, numbers dropped further. For every 100 consumers of a purpose-led brand, 82 do not know what that purpose is.

The study concluded directly: "The commercial impact of brand purpose as a marketing strategy is frequently overestimated and lacks reliable empirical support."

Byron Sharp, director of the Ehrenberg-Bass Institute and author of How Brands Grow, had been warning about this risk for years. Sharp's argument is scientific, not moral. If all brands in a category adopt similar social purposes, they all become the same. Differentiation via purpose is easily copied. Supermarket own-labels can replicate any stated purpose without media cost. What remains is, in practice, a generic slogan.

"Purpose could be the death of brands. As brands adopt similar social purposes, they all begin to sound the same, and supermarket own-labels can replicate any stated purpose without the media cost." Byron Sharp, Marketing Week, 2021

Mark Ritson, Mini MBA in Marketing professor and Marketing Week columnist, arrived at the same diagnosis by a different route. Ritson analyzed the pattern of brands building purpose in communication while acting contrary in business. Starbucks talks about "community" while structuring accounting to minimize local taxes. Gillette promotes positive masculinity while charging, on average, 40% more for equivalent women's products. The name Ritson gave to this pattern: purpose washing. Performative adoption of values without genuine integration into company operations.

The critique of Stengel's study is surgical. The Grow methodology selected the 50 brands after knowing the financial results, not before. Survivorship bias with a data veneer. The same reasoning would justify any hypothesis, including that brands with round logos grow faster.

The Harvard Business Review published a figure in 2019 that captures the problem precisely: 65% of consumers say they want to buy from brands that share their values. Only 26% actually do. The gap between intention and behavior is 39 percentage points. In intention surveys, people say what they would like to do. In the aisle, they do what is easiest, cheapest or most familiar.

What actually grows brands

If purpose does not solve the growth problem, what does?

Sharp and Romaniuk spent decades analyzing purchase data from thousands of consumers across dozens of categories. The conclusion runs counter to what most briefs assume: growth comes from penetration, not loyalty. From reaching more people, not deepening relationships with existing buyers.

The average buyer in any category purchases the brand infrequently. Most buyers of any major brand buy it occasionally, alongside products from other brands in the same category. For growth, the brand needs to be remembered and found by this light buyer.

The two pillars of brand growth

Mental availability: the brand is present in consumer memory in relevant buying situations. Built by broad-reach, consistent advertising over time. Measured by memory attributes, not by purpose.

Physical availability: the brand is accessible at the moment and place where the purchase decision is made. Distribution, shelf presence, marketplace position, visibility at digital and physical point of sale.

Purpose can, under very specific conditions, contribute to mental availability. But only when known by the consumer, which the Ehrenberg-Bass study shows happens in 18% of cases.

Purpose communicates a value that, per the Ehrenberg-Bass study, 82% of light buyers do not even know. It is investment in a message that does not arrive, for an audience that buys automatically, through availability and familiarity, not ideological alignment.

Three cases, three different lessons

Dove Real Beauty — the exception that proves the rule

In 2004, a global Dove study revealed that only 4% of women felt confident in their own appearance. The company used this data to launch the Real Beauty campaign: real women, of different ages, sizes and ethnicities, without digital retouching. Dove's sales grew from approximately $200 million to over $4 billion over the following decade.

It worked. For two decades, Dove has maintained this narrative consistently. Three factors distinguish the case. The purpose was anchored in a measured, concrete insight. The brand changed what it did in its own product and communication, without entering political debates external to its territory. The consistency spans 20 years without deviation.

Dove is the case that brand purpose advocates always cite. Precisely because it is the exception. Very few brands have managed to replicate the process or the result.

Gillette We Believe — when purpose divides

In January 2019, Gillette launched "We Believe: The Best Men Can Be," a re-reading of the classic slogan with direct criticism of toxic masculinity, harassment and bullying. The response was polarizing. Part of the public supported it. Another part called for a boycott. In the same year, Procter & Gamble recorded an $8 billion goodwill impairment in the Gillette division, officially attributed to private label competition and changing shaving habits.

The case illustrates the mechanism Sharp describes. When the brand takes a position on social behavior, it divides the potential consumer base. Division in marketing is the opposite of what the Ehrenberg-Bass Institute prescribes for growth: reaching light buyers, expanding market penetration, maximizing the number of people who know and buy the brand.

Patagonia — the case nobody wants to copy

Patagonia is the favorite model of brand purpose advocates. With reason: founder Yvon Chouinard donated the company in 2022 to a nonprofit structure focused on environmental preservation. Sales grew. The customer base is consistent and vocal.

The problem with Patagonia as a reference model: very few companies are willing to do what Patagonia does. Chouinard rejected profitable product lines because they contradicted the company's environmental values. That is real purpose. And it costs real money.

"A true brand purpose doesn't boost profit. It sacrifices it." Mark Ritson, Marketing Week

Authentic purpose is a strategic constraint, not a growth tool. Brands that communicate purpose as a commercial advantage are selling something they do not have.

How to identify real purpose

Four questions to separate purpose from manifesto

The real implication for decision-makers

Brand purpose can be legitimate. It can be integrated, consistent, genuine. Under specific conditions, with decades of consistency and real operational constraints, it can create long-term advantage. Dove and Patagonia exist.

The issue is what the market did with the concept: it transformed a rare, costly management principle into a mandatory module in every agency brief.

When purpose becomes a commodity, the effect is what Sharp described. Brands that should be distinctive become the same. Each one with its cause, its manifesto, its impact palette. All saying the same thing with different typefaces. The result: none of them is remembered for the purpose they proclaim.

What grows brands, according to the available science, is mental and physical availability. Being present in consumer memory at the moments of purchase. Being at the point of sale when the decision is made. Having distinctive assets that activate recognition without cognitive effort.

Purpose can complement these mechanisms, under rare and specific conditions. As a shortcut to growth, the data are clear. The 82% who do not know the purpose of the brand they buy every week confirm this with precision.


References

Books

  • Sharp, Byron. How Brands Grow: What Marketers Don't Know. Oxford University Press, 2010.
  • Romaniuk, Jenni & Sharp, Byron. How Brands Grow: Part 2. Oxford University Press, 2015.
  • Stengel, Jim. Grow: How Ideals Power Growth and Profit at the World's Greatest Companies. Crown Business, 2012.

Academic Articles & Research

  • Romaniuk, Jenni et al. "Brand purpose: are consumers aware to care?" Ehrenberg-Bass Institute for Marketing Science, 2021.
  • Edelman. Edelman Trust Barometer Special Report: In Brands We Trust? 2019.
  • Harvard Business Review. "The Elusive Green Consumer." HBR, July–August 2019.
  • Nielsen. The Sustainability Imperative: New Insights on Consumer Expectations. 2015.
  • Sharp, Byron. "Purpose could be the death of brands." Marketing Week, 2021.
  • Ritson, Mark. "Stop propping up brand purpose with contrived data and hypocrisy." Marketing Week, 2019.

Primary Sources

  • Dove. Real Beauty Sketches — Unilever, 2013. Campaign by Ogilvy Brasil.
  • Gillette. "We Believe: The Best Men Can Be." Procter & Gamble, January 2019.
  • Pepsi. "Jump In." Pepsi-Cola Company, April 2017.
  • Chouinard, Yvon. "Earth Is Now Our Only Shareholder." Patagonia, September 2022.

Diego Isaac

Brand strategist with 10+ years at the intersection of brand science, consumer behaviour, and communication.

diegoisaac.com.br