31 Mar 2026 · Além da Publicidade

Promoções de Preço: O Vício Mais Caro do Marketing

Descontos geram vendas imediatas. Também treinam consumidores a nunca mais pagar preço cheio. A ciência explica por quê.

Além da Publicidade

TL;DR

Promoções de preço vendem mais no curto prazo. Essa frase acaba aqui. No longo prazo, elas corroem margens, recalibram a referência mental do consumidor, atraem compradores que nunca voltam sem desconto e reduzem a disposição a pagar de quem já comprava sem promoção. A pesquisa do Ehrenberg-Bass Institute mostra que promoções falham em gerar penetração real. Binet e Field documentam que nenhuma campanha baseada em ativação de preço produziu redução de sensibilidade ao preço. Thaler explica o mecanismo: contabilidade mental. Este artigo apresenta a evidência e propõe o que funciona no lugar.

A armadilha que parece solução

Em 2019, a J.C. Penney tentou algo radical. O CEO Ron Johnson eliminou cupons, promoções e descontos permanentes. Substituiu tudo por "preços justos todos os dias". A ideia era simples: parar de mentir para o consumidor com preços inflados que existiam só para justificar o desconto. O resultado? Vendas despencaram 25% em um ano. Johnson foi demitido em 2013. A empresa voltou aos descontos e cupons.

A história parece provar que promoções funcionam. Prova o oposto. A J.C. Penney tinha passado décadas treinando seus consumidores a só comprar em promoção. Quando tirou o desconto, os clientes sentiram que estavam perdendo algo. O preço "justo" parecia caro porque o cérebro calcula valor comparando com referências anteriores, e a referência da J.C. Penney era o preço com desconto.

A empresa era viciada em promoção. E como todo viciado, a retirada foi brutal.

72% das vendas incrementais em promoção vêm de compras antecipadas, não de novos compradores (Ehrenberg-Bass Institute, análise de 300+ categorias FMCG)

O que a ciência diz sobre promoções de preço

Byron Sharp e a equipe do Ehrenberg-Bass Institute estudaram promoções de preço em mais de 300 categorias de bens de consumo. A conclusão deles incomoda qualquer gerente de trade marketing: promoções de preço raramente geram penetração de mercado nova. Elas movem volume, mas a maior parte desse volume vem de três fontes que mascaram crescimento real.

Primeira fonte: antecipação de compra. O consumidor que compraria na semana seguinte compra agora porque está em promoção. O volume total do trimestre quase empata. Segunda: stockpiling. O consumidor compra mais unidades, estoca, e fica semanas sem comprar de novo. A marca vendeu o mesmo volume concentrado numa janela de menor margem. Terceira: brand switching temporário. Compradores de marcas concorrentes experimentam pela promoção e retornam à marca habitual assim que o preço normaliza.

"Promoções de preço carecem de alcance e normalmente falham em trazer novos consumidores para a marca." Byron Sharp, How Brands Grow, 2010

Sharp observa que promoções atraem os chamados "heavy category buyers", consumidores que já compram muito na categoria e são os mais sensíveis a preço. Esses compradores transitam entre marcas por oportunismo. Eles entram pela promoção e saem na semana seguinte. Gerar penetração real requer alcançar compradores leves e não-compradores da categoria. Promoção de preço faz o contrário: pesca no mesmo tanque.

Contabilidade mental: o mecanismo invisível

Richard Thaler, prêmio Nobel de Economia em 2017, descreveu o conceito de contabilidade mental em 1985. A ideia: consumidores mantêm contas mentais separadas para diferentes categorias de gasto. Dentro de cada conta, avaliam transações usando dois tipos de utilidade.

A utilidade de aquisição é o valor que o produto entrega em si. Um café é quente, energizante, tem sabor bom. A utilidade de transação é a diferença entre o preço pago e o preço de referência que o consumidor carrega na cabeça. Comprar algo abaixo do preço de referência gera prazer adicional, independente do valor real do produto.

O problema começa aqui. Quando uma marca faz promoções frequentes, o preço de referência na cabeça do consumidor recalibra para baixo. O preço com desconto vira o "normal". O preço cheio vira "caro". A utilidade de transação inverte: voltar a pagar preço cheio gera desprazer.

O ciclo de dependência promocional

1. Marca lança promoção para impulsionar vendas trimestrais.

2. Consumidores recalibram preço de referência para baixo.

3. Vendas fora de promoção caem (preço cheio agora parece "caro").

4. Próximo trimestre precisa de promoção mais agressiva para o mesmo resultado.

5. Margem erode. Investimento em marca diminui. Ciclo se acelera.

Thaler documentou esse mecanismo com dados reais de varejo americano. Consumidores que foram expostos a três promoções consecutivas da mesma marca reduziram a disposição a pagar pelo preço regular em 15-20%. A referência mental mudou. E mudar de volta é mais difícil do que criar do zero.

A Lei de Weber-Fechner e o limiar do preço

Ernst Weber e Gustav Fechner formularam em 1860 uma lei da percepção que marketers ignoram há 165 anos. A lei é simples: a diferença mínima perceptível (JND, de Just Noticeable Difference) entre dois estímulos é proporcional à magnitude do estímulo original.

Traduzindo para preço: um aumento de R$2 num café de R$8 (25%) é perceptível e doloroso. O mesmo aumento de R$2 num notebook de R$5.000 (0,04%) passa invisível. A percepção opera em proporções, e o cérebro processa preço como proporção, como estímulo sensorial.

Para promoções, a consequência é direta. Um desconto de 10% num produto de R$20 (economia de R$2) é perceptível e gera reação. O mesmo desconto de 10% num produto de R$2.000 (economia de R$200) deveria gerar mais reação, mas a satisfação percebida escala logaritmicamente, não linearmente. A implicação? Descontos proporcionalmente iguais geram respostas psicológicas diferentes dependendo do patamar de preço. A maioria dos gerentes de categoria ignora isso e aplica "20% off" como se o número fosse universal.

Ancoragem: quando o preço errado vira referência

Dan Ariely e Drazen Prelec conduziram em 2003 um dos experimentos mais citados da economia comportamental. Pediram a estudantes do MIT que anotassem os dois últimos dígitos do seu número de seguro social. Em seguida, perguntaram quanto pagariam por uma garrafa de vinho, um teclado sem fio, um livro. Os estudantes cujos dois dígitos eram maiores (80-99) ofereceram, em média, 216% a 346% mais do que os que tinham dígitos baixos (01-20).

Um número completamente arbitrário influenciou a disposição a pagar. Ariely chamou esse fenômeno de coerência arbitrária: a primeira âncora que encontramos define o ponto de referência, e todas as avaliações subsequentes se organizam em torno dela.

Agora pense no que uma marca faz quando coloca "De R$199 por R$99" no ponto de venda. A intenção é ancorar em R$199 e fazer R$99 parecer uma barganha. Mas o efeito líquido, repetido ao longo de meses, é diferente: o consumidor passa a ancorar em R$99 como o preço "real". O R$199 vira ficção. Quando a promoção acaba e o produto volta a R$199, a percepção do consumidor registra perda, porque R$199 agora é R$100 acima da sua referência.

Kahneman e Tversky demonstraram em 1979, com a Teoria da Perspectiva, que perdas pesam aproximadamente 2,5 vezes mais do que ganhos equivalentes na tomada de decisão. Pagar R$100 a mais gera 2,5 vezes mais desprazer do que a alegria de economizar R$100. A marca treinou o consumidor para sentir dor toda vez que paga preço cheio.

2,5x A dor de pagar acima do preço de referência é 2,5 vezes mais intensa que o prazer de economizar o mesmo valor (Kahneman & Tversky, Prospect Theory, 1979)

Binet e Field: promoção como destruidor de pricing power

Les Binet e Peter Field analisaram mais de 1.000 campanhas no banco de dados do IPA (Institute of Practitioners in Advertising) ao longo de duas décadas. Sua conclusão sobre preço é inequívoca: campanhas de brand building de longo prazo são o único mecanismo documentado capaz de reduzir a sensibilidade ao preço de uma marca.

Campanhas de ativação (cupons, descontos, call-to-action direto) geram vendas no curto prazo. Mas nos dados do IPA, nenhuma campanha baseada em ativação produziu redução de sensibilidade ao preço. Zero. O efeito foi consistentemente o oposto: marcas que dependiam de ativação promocional mostraram aumento de elasticidade-preço ao longo do tempo.

"Brand building de longo prazo é a chave para firmar preços. Promover preço baixo produz o efeito contrário." Les Binet, Marketing Week, 2024

Binet separa o mundo em dois mecanismos que operam em escalas temporais diferentes. O brand building cria estruturas de memória que tornam a marca mentalmente disponível e emocionalmente relevante. Esse efeito opera sobre a dimensão inconsciente da decisão de compra, reduzindo a necessidade de comparação racional de preços. Quando o consumidor pensa na categoria e a marca aparece primeiro na memória, com associações emocionais positivas, o preço se torna menos determinante.

A ativação converte essa predisposição em venda. Funciona bem quando há marca forte por trás. Funciona mal quando a ativação é o único motor: sem marca, o único diferenciador é preço, e competir por preço é a corrida que ninguém ganha.

A matemática da destruição de margem

A maioria dos gerentes de marca calcula promoção de forma simples: "dou 20% de desconto, aumento volume em 30%, saio no lucro". A conta real é mais cruel.

Considere um produto com preço regular de R$100 e custo variável de R$60. Margem de contribuição: R$40. Se a marca oferece 20% de desconto, o novo preço é R$80. Margem: R$20. Para manter a mesma margem total, o volume precisa dobrar. Vender 100% mais unidades para ter o mesmo resultado em margem absoluta.

Na prática, análises da Kantar Worldpanel em mercados de FMCG mostram que promoções de 20% geram, em média, aumento de volume entre 20-40%, dependendo da categoria. Longe dos 100% necessários para compensar a margem perdida. O resultado líquido é negativo. A marca vendeu mais unidades e ganhou menos dinheiro.

Mark Ritson resume com a precisão que o assunto exige: dos 4Ps do marketing mix, preço é o que mais diretamente afeta lucro e o que marketers mais negligenciam. Profissionais de marketing gastam 90% do tempo em promoção (o quarto P) e tratam preço como variável financeira, delegada ao departamento de finanças. Mas preço comunica. Preço posiciona. Preço é estratégia de marca.

O que 20% de desconto realmente custa

Preço regular: R$100 | Custo variável: R$60 | Margem: R$40/unidade

Preço com desconto: R$80 | Margem: R$20/unidade (queda de 50%)

Para manter margem total: volume precisa dobrar (+100%)

Aumento real de volume típico: +20% a +40% (Kantar Worldpanel)

Resultado líquido: marca vendeu mais e lucrou menos.

Preço como sinal de qualidade

Rao e Monroe publicaram em 1989 uma meta-análise de 36 estudos sobre a relação preço-qualidade percebida. A conclusão foi clara: existe uma relação positiva significativa entre preço e percepção de qualidade. Quando consumidores têm informação limitada sobre um produto (o que é a maioria das situações de compra), o preço funciona como proxy de qualidade.

Goldstein e colegas demonstraram isso em 2008 com um experimento usando vinho. Participantes avaliaram vinhos idênticos servidos com etiquetas de preço diferentes. O vinho "caro" (US$45) foi consistentemente avaliado como mais saboroso que o mesmo vinho apresentado como barato (US$5). Exames de ressonância magnética confirmaram: o córtex orbitofrontal medial, região associada ao prazer, mostrou maior ativação quando os participantes acreditavam estar bebendo o vinho caro. O preço literalmente mudou a experiência sensorial.

Quando uma marca faz promoção frequente, ela está comunicando ao cérebro do consumidor que seu preço regular é inflado, artificial, injustificado. Está dizendo: "nosso produto vale menos do que cobramos normalmente". A cada desconto, a percepção de qualidade do produto no preço cheio diminui. É corrosão lenta. Imperceptível no trimestre. Devastadora na década.

O caso Procter & Gamble: a prova industrial

Em 2009, a Procter & Gamble começou a reduzir sistematicamente sua dependência de promoções de preço. A empresa identificou que, em algumas categorias, mais de 40% do volume era vendido em promoção. O CFO Jon Moeller descreveu a situação como "insustentável" em chamada com analistas.

A estratégia foi gradual: reduzir profundidade e frequência de descontos enquanto aumentava investimento em brand building e inovação de produto. Entre 2010 e 2020, a P&G realocou bilhões de promoção para construção de ativos de marca e distribuição. O resultado? Crescimento orgânico de vendas acelerou. Margens brutas expandiram de 49% para 52%. O pricing power da empresa aumentou precisamente porque ela parou de treinar consumidores a esperar desconto.

A lição é contraintuitiva. A P&G cresceu vendendo menos em promoção. Cresceu porque recuperou o preço de referência do consumidor. Porque reconstruiu a percepção de que seus produtos valiam o que custavam. Porque parou de competir consigo mesma.

O que funciona no lugar de promoção de preço

Se promoções corroem valor, o que constrói? A evidência aponta para três mecanismos que operam em escalas diferentes.

1. Brand building contínuo

Binet e Field recomendam a proporção 60/40: 60% do investimento em brand building (construção de memória, emoção, associações), 40% em ativação (conversão direta). A proporção varia por categoria, mas o princípio se mantém: marca forte reduz sensibilidade a preço. Ativação sem marca é promoção disfarçada.

O mecanismo é o que Sharp chama de disponibilidade mental. Marcas que ocupam mais espaço na memória do consumidor, associadas a mais situações de compra (CEPs, Category Entry Points), são escolhidas com menos comparação de preço. O consumidor compra Nescafé porque "Nescafé" apareceu primeiro na cabeça quando pensou em café. A competição de preço sequer entrou na equação.

2. Disponibilidade física como alavanca

Sharp e Romaniuk demonstraram que disponibilidade física (ser encontrável, estar presente, ser fácil de comprar) é tão determinante quanto publicidade para crescimento de marca. Marcas que investem em distribuição expandida conseguem crescer sem depender de desconto como motor de vendas.

A lógica é direta. Se o consumidor encontra sua marca em mais lugares, a probabilidade de compra aumenta independente de preço. Distribuição é o P mais subestimado do marketing mix. Cada ponto de venda adicional gera alcance que promoção de preço compra temporariamente e perde no dia seguinte.

3. Inovação de produto como justificação de preço

A alternativa mais direta à promoção é tornar o produto objetivamente melhor. Quando o consumidor percebe inovação real (formulação, embalagem, funcionalidade), a disposição a pagar aumenta sem necessidade de manipulação promocional. A P&G fez exatamente isso: realocou verba de promoção para P&D. Tide Pods, Gillette ProGlide, Oral-B com Bluetooth. Produtos que justificam preço premium por entrega, e com margem.

Auditoria de dependência promocional

A implicação incômoda

A pergunta que nenhum diretor comercial quer ouvir: "Se promoções de preço geram ROI negativo no longo prazo, por que continuamos fazendo?". A resposta é estrutural.

Promoções existem porque o varejo exige. Porque o trade marketing tem metas trimestrais que premiadas por volume, sem nenhuma métrica de margem ou saúde de marca. Porque o CFO vê "aumento de vendas" no relatório e ninguém apresenta o contrafactual: quanto venderia sem promoção, com a margem inteira.

A solução exige mudança de incentivos. Enquanto o gerente de trade for bonificado por volume em promoção, a empresa continuará destruindo valor. A ciência está disponível. Os dados estão publicados. O que falta é coragem institucional para agir sobre eles.

Promoção de preço é o ansiolítico do marketing. Alivia o sintoma trimestral. Agrava a condição estrutural. E quanto mais se usa, mais difícil é parar.


Referências

Pesquisa Acadêmica

  • Sharp, B. (2010). How Brands Grow. Oxford University Press.
  • Binet, L. & Field, P. (2013). The Long and the Short of It. IPA.
  • Kahneman, D. & Tversky, A. (1979). Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk. Econometrica, 47(2), 263-291.
  • Thaler, R. (1985). Mental Accounting and Consumer Choice. Marketing Science, 4(3), 199-214.
  • Ariely, D. & Prelec, D. (2003). Coherent Arbitrariness. Quarterly Journal of Economics, 118(1), 73-106.
  • Rao, A. & Monroe, K. (1989). The Effect of Price, Brand Name, and Store Name on Buyers' Perceptions. Journal of Marketing Research, 26(3), 351-357.
  • Goldstein, R. et al. (2008). Do More Expensive Wines Taste Better? Journal of Wine Economics, 3(1), 1-9.
  • Plassman, H. et al. (2008). Marketing Actions Can Modulate Neural Representations of Experienced Pleasantness. PNAS, 105(3), 1050-1054.

Indústria e Análise

  • Ehrenberg-Bass Institute. Análise de promoções em 300+ categorias FMCG.
  • Binet, L. (2024). Long-term brand building is the key to firmer pricing. Marketing Week.
  • Ritson, M. Os 4Ps do marketing e a negligência com preço. Marketing Week, vários artigos.
  • Kantar Worldpanel. Dados de elasticidade promocional em FMCG.
  • Procter & Gamble. Annual Reports e Earnings Calls (2010-2020).

Diego Isaac é estrategista de marcas em Brasília.

Escreve sobre o que a ciência diz que funciona em marketing e o mercado insiste em ignorar.

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Beyond Advertising

TL;DR

Price promotions drive short-term sales. That sentence ends here. In the long run, they erode margins, recalibrate consumer reference prices, attract buyers who never return without a discount, and reduce willingness-to-pay among existing customers. Research from the Ehrenberg-Bass Institute shows promotions fail to generate real penetration. Binet and Field documented that no activation-based campaign has ever produced a reduction in price sensitivity. Thaler explains the mechanism: mental accounting. This article presents the evidence and proposes what works instead.

The trap that looks like a solution

In 2019, J.C. Penney tried something radical. CEO Ron Johnson eliminated coupons, promotions, and permanent discounts. He replaced everything with "fair and square everyday pricing." The idea was simple: stop lying to consumers with inflated prices that existed only to justify the discount. The result? Sales dropped 25% in one year. Johnson was fired in 2013. The company went back to discounts and coupons.

The story seems to prove that promotions work. It proves the opposite. J.C. Penney had spent decades training its consumers to only buy on promotion. When they removed the discount, customers felt they were losing something. The "fair" price felt expensive because the brain calculates value by comparing against prior references, and J.C. Penney's reference was the discounted price.

The company was addicted to promotions. And like every addict, withdrawal was brutal.

72% of incremental promotional sales come from purchase acceleration, not new buyers (Ehrenberg-Bass Institute, 300+ FMCG category analysis)

What science says about price promotions

Byron Sharp and the Ehrenberg-Bass Institute team studied price promotions across 300+ consumer goods categories. Their conclusion unsettles any trade marketing manager: price promotions rarely generate new market penetration. They move volume, but most of that volume comes from three sources that mask real growth.

First source: purchase acceleration. Consumers who would have bought next week buy now because it's on sale. Quarterly totals nearly break even. Second: stockpiling. Consumers buy more units, stock up, and go weeks without purchasing again. The brand sold the same volume concentrated in a lower-margin window. Third: temporary brand switching. Competing brand buyers try the product on promotion and return to their usual brand once the price normalizes.

"Price promotions lack reach and usually fail to bring new consumers to a brand." Byron Sharp, How Brands Grow, 2010

Sharp observes that promotions attract so-called "heavy category buyers," consumers who already purchase frequently in the category and are the most price-sensitive. These buyers switch between brands opportunistically. They enter through the promotion and leave the following week. Generating real penetration requires reaching light buyers and category non-buyers. Price promotions do the opposite: they fish in the same pond.

Mental accounting: the invisible mechanism

Richard Thaler, Nobel Prize in Economics in 2017, described the concept of mental accounting in 1985. The idea: consumers maintain separate mental accounts for different spending categories. Within each account, they evaluate transactions using two types of utility.

Acquisition utility is the value the product delivers in itself. A coffee is warm, energizing, good-tasting. Transaction utility is the difference between the price paid and the reference price the consumer carries in their head. Buying something below the reference price generates additional pleasure, regardless of the product's actual value.

The problem starts here. When a brand runs frequent promotions, the consumer's reference price recalibrates downward. The discounted price becomes "normal." The full price becomes "expensive." Transaction utility reverses: paying full price generates displeasure.

The promotional dependency cycle

1. Brand launches promotion to boost quarterly sales.

2. Consumers recalibrate reference price downward.

3. Off-promotion sales drop (full price now feels "expensive").

4. Next quarter requires a more aggressive promotion for the same result.

5. Margins erode. Brand investment shrinks. The cycle accelerates.

Thaler documented this mechanism with real retail data. Consumers exposed to three consecutive promotions from the same brand reduced their willingness to pay the regular price by 15-20%. The mental reference shifted. And shifting it back is harder than creating it from scratch.

The Weber-Fechner Law and the price threshold

Ernst Weber and Gustav Fechner formulated in 1860 a law of perception that marketers have ignored for 165 years. The law is simple: the minimum perceptible difference (JND, or Just Noticeable Difference) between two stimuli is proportional to the magnitude of the original stimulus.

Translated to pricing: a R$2 increase on an R$8 coffee (25%) is perceptible and painful. The same R$2 increase on a R$5,000 laptop (0.04%) goes unnoticed. Perception operates in proportions, and the brain processes price as proportion, as sensory stimulus.

For promotions, the consequence is direct. A 10% discount on a R$20 product (saving R$2) is perceptible and triggers a response. The same 10% discount on a R$2,000 product (saving R$200) should trigger more response, but perceived satisfaction scales logarithmically, not linearly. The implication? Proportionally equal discounts generate different psychological responses depending on the price level. Most category managers ignore this and apply "20% off" as if the number were universal.

Anchoring: when the wrong price becomes the reference

Dan Ariely and Drazen Prelec conducted in 2003 one of behavioral economics' most cited experiments. They asked MIT students to write down the last two digits of their social security number. Then they asked how much they would pay for a bottle of wine, a wireless keyboard, a book. Students whose two digits were higher (80-99) bid, on average, 216% to 346% more than those with low digits (01-20).

A completely arbitrary number influenced willingness to pay. Ariely called this phenomenon arbitrary coherence: the first anchor we encounter defines the reference point, and all subsequent evaluations organize around it.

Now think about what a brand does when it places "From R$199 to R$99" at the point of sale. The intention is to anchor at R$199 and make R$99 look like a bargain. But the net effect, repeated over months, is different: the consumer starts anchoring at R$99 as the "real" price. R$199 becomes fiction. When the promotion ends and the product returns to R$199, the consumer's perception registers a loss, because R$199 is now R$100 above their reference.

Kahneman and Tversky demonstrated in 1979, with Prospect Theory, that losses weigh approximately 2.5 times more than equivalent gains in decision-making. Paying R$100 more generates 2.5 times more displeasure than the joy of saving R$100. The brand has trained the consumer to feel pain every time they pay full price.

2.5x The pain of paying above reference price is 2.5 times more intense than the pleasure of saving the same amount (Kahneman & Tversky, Prospect Theory, 1979)

Binet and Field: promotion as pricing power destroyer

Les Binet and Peter Field analyzed over 1,000 campaigns in the IPA (Institute of Practitioners in Advertising) database across two decades. Their conclusion about pricing is unequivocal: long-term brand building campaigns are the only documented mechanism capable of reducing a brand's price sensitivity.

Activation campaigns (coupons, discounts, direct calls-to-action) generate short-term sales. But in IPA data, no activation-based campaign produced a reduction in price sensitivity. Zero. The effect was consistently the opposite: brands that depended on promotional activation showed increased price elasticity over time.

"Long-term brand building is the key to firmer pricing. Promoting low prices produces the opposite effect." Les Binet, Marketing Week, 2024

Binet separates the world into two mechanisms operating on different time scales. Brand building creates memory structures that make the brand mentally available and emotionally relevant. This effect operates on the unconscious dimension of purchase decisions, reducing the need for rational price comparison. When the consumer thinks about the category and the brand appears first in memory, with positive emotional associations, price becomes less determinant.

Activation converts that predisposition into a sale. It works well when there's a strong brand behind it. It works poorly when activation is the only engine: without brand, the only differentiator is price, and competing on price is a race nobody wins.

The math of margin destruction

Most brand managers calculate promotions simply: "I give 20% off, increase volume by 30%, come out ahead." The real math is crueler.

Consider a product with a regular price of $100 and variable cost of $60. Contribution margin: $40. If the brand offers 20% off, the new price is $80. Margin: $20. To maintain the same total margin, volume needs to double. Sell 100% more units to achieve the same result in absolute margin.

In practice, Kantar Worldpanel analyses in FMCG markets show that 20% promotions generate, on average, volume increases between 20-40%, depending on the category. Far from the 100% needed to offset the lost margin. The net result is negative. The brand sold more units and made less money.

Mark Ritson summarizes with the precision the subject demands: of the marketing mix's 4Ps, price is the one that most directly affects profit and the one marketers most neglect. Marketing professionals spend 90% of their time on promotion (the fourth P) and treat price as a financial variable, delegated to the finance department. But price communicates. Price positions. Price is brand strategy.

What a 20% discount really costs

Regular price: $100 | Variable cost: $60 | Margin: $40/unit

Discounted price: $80 | Margin: $20/unit (50% drop)

To maintain total margin: volume must double (+100%)

Typical real volume increase: +20% to +40% (Kantar Worldpanel)

Net result: brand sold more and earned less.

Price as a quality signal

Rao and Monroe published in 1989 a meta-analysis of 36 studies on the price-quality perception relationship. The conclusion was clear: there is a significant positive relationship between price and perceived quality. When consumers have limited information about a product (which is most purchase situations), price functions as a quality proxy.

Goldstein and colleagues demonstrated this in 2008 with a wine experiment. Participants rated identical wines served with different price labels. The "expensive" wine (US$45) was consistently rated tastier than the same wine presented as cheap (US$5). MRI scans confirmed: the medial orbitofrontal cortex, a region associated with pleasure, showed greater activation when participants believed they were drinking expensive wine. Price literally changed the sensory experience.

When a brand runs frequent promotions, it communicates to the consumer's brain that its regular price is inflated, artificial, unjustified. It's saying: "our product is worth less than we normally charge." With each discount, the perception of quality at full price diminishes. It's slow corrosion. Imperceptible in a quarter. Devastating over a decade.

The Procter & Gamble case: industrial proof

In 2009, Procter & Gamble began systematically reducing its dependence on price promotions. The company identified that in some categories, over 40% of volume was sold on promotion. CFO Jon Moeller described the situation as "unsustainable" in an analyst call.

The strategy was gradual: reduce depth and frequency of discounts while increasing investment in brand building and product innovation. Between 2010 and 2020, P&G reallocated billions from promotion to brand asset construction and distribution. The result? Organic sales growth accelerated. Gross margins expanded from 49% to 52%. The company's pricing power increased precisely because it stopped training consumers to expect discounts.

The lesson is counterintuitive. P&G grew by selling less on promotion. It grew because it recovered the consumer's reference price. Because it rebuilt the perception that its products were worth what they cost. Because it stopped competing against itself.

What works instead of price promotion

If promotions erode value, what builds it? Evidence points to three mechanisms operating at different scales.

1. Continuous brand building

Binet and Field recommend the 60/40 ratio: 60% of investment in brand building (memory construction, emotion, associations), 40% in activation (direct conversion). The ratio varies by category, but the principle holds: a strong brand reduces price sensitivity. Activation without brand is promotion in disguise.

The mechanism is what Sharp calls mental availability. Brands that occupy more space in consumer memory, associated with more purchase situations (CEPs, Category Entry Points), are chosen with less price comparison. The consumer buys Nescafé because "Nescafé" appeared first in their mind when they thought about coffee. Price competition didn't even enter the equation.

2. Physical availability as a lever

Sharp and Romaniuk demonstrated that physical availability (being findable, present, easy to buy) is as determinant as advertising for brand growth. Brands that invest in expanded distribution can grow without depending on discounts as a sales engine.

The logic is direct. If the consumer finds your brand in more places, purchase probability increases regardless of price. Distribution is the most underestimated P in the marketing mix. Each additional point of sale generates reach that price promotions buy temporarily and lose the next day.

3. Product innovation as price justification

The most direct alternative to promotion is making the product objectively better. When consumers perceive real innovation (formulation, packaging, functionality), willingness to pay increases without the need for promotional manipulation. P&G did exactly this: reallocated promotion budgets to R&D. Tide Pods, Gillette ProGlide, Oral-B with Bluetooth. Products that justify premium pricing through delivery, with margin intact.

Promotional dependency audit

The uncomfortable implication

The question no commercial director wants to hear: "If price promotions generate negative long-term ROI, why do we keep doing them?" The answer is structural.

Promotions exist because retail demands them. Because trade marketing has quarterly targets rewarded by volume, with no margin or brand health metrics. Because the CFO sees "sales increase" in the report and nobody presents the counterfactual: how much would have sold without the promotion, at full margin.

The solution requires changing incentives. As long as the trade manager is rewarded for promotional volume, the company will keep destroying value. The science is available. The data is published. What's missing is institutional courage to act on it.

Price promotion is marketing's anxiolytic. It relieves quarterly symptoms. Worsens the structural condition. And the more you use it, the harder it is to stop.


References

Academic Research

  • Sharp, B. (2010). How Brands Grow. Oxford University Press.
  • Binet, L. & Field, P. (2013). The Long and the Short of It. IPA.
  • Kahneman, D. & Tversky, A. (1979). Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk. Econometrica, 47(2), 263-291.
  • Thaler, R. (1985). Mental Accounting and Consumer Choice. Marketing Science, 4(3), 199-214.
  • Ariely, D. & Prelec, D. (2003). Coherent Arbitrariness. Quarterly Journal of Economics, 118(1), 73-106.
  • Rao, A. & Monroe, K. (1989). The Effect of Price, Brand Name, and Store Name on Buyers' Perceptions. Journal of Marketing Research, 26(3), 351-357.
  • Goldstein, R. et al. (2008). Do More Expensive Wines Taste Better? Journal of Wine Economics, 3(1), 1-9.
  • Plassman, H. et al. (2008). Marketing Actions Can Modulate Neural Representations of Experienced Pleasantness. PNAS, 105(3), 1050-1054.

Industry & Analysis

  • Ehrenberg-Bass Institute. Promotional analysis across 300+ FMCG categories.
  • Binet, L. (2024). Long-term brand building is the key to firmer pricing. Marketing Week.
  • Ritson, M. The 4Ps and pricing neglect. Marketing Week, various articles.
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Diego Isaac is a brand strategist based in Brasilia, Brazil.

He writes about what science says works in marketing and the market insists on ignoring.

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