Compradores Leves: o que são e por que importam
Como funciona
- A distribuição de frequência de compra em qualquer categoria segue uma curva NBD (Negative Binomial Distribution): muitos compradores leves, poucos compradores pesados. Isso é uma lei empírica, não uma exceção.
- Heavy buyers (compradores frequentes) compram múltiplas marcas com alta frequência: a lealdade exclusiva a uma marca é rara mesmo entre eles. O consumidor de Coca-Cola que bebe refrigerante todo dia também bebe Pepsi, Guaraná Antarctica e água com gás.
- Campanhas construídas para "falar com quem já nos conhece" ignoram estruturalmente metade da receita potencial: e não conseguem crescer penetração.
- Compradores leves têm menor Brand Salience (a marca é ativada com menos frequência nos seus CEPs): o que significa que precisam de exposição consistente à comunicação para manter a marca no repertório de consideração.
- Quando uma marca cresce, ela cresce principalmente adicionando compradores leves: não convertendo leves em pesados.
Por que importa para estrategistas
A maioria das estratégias de retenção e CRM é construída para heavy buyers: o segmento que já compra muito, já está convencido e provavelmente não mudaria de comportamento independentemente do esforço de marketing. São o segmento que responde menos ao investimento marginal exatamente porque o relacionamento já está consolidado.
Light buyers são o oposto: compram pouco porque a marca não está suficientemente presente na memória no momento certo. O investimento em alcançar esse grupo: via mídia de alto alcance, distribuição ampla e disponibilidade física nos momentos de compra: tem retorno marginal superior ao de programas de fidelidade.
O erro de diagnóstico mais comum: empresas que analisam dados de CRM concluem que "20% dos clientes geram 80% da receita" e decidem concentrar esforços nesses 20%. A conclusão correta é a inversa: os 80% restantes são o mercado potencial não explorado, e crescer significa conquistá-los, não extrair mais dos que já compram.
Perguntas frequentes
Para Sharp, light buyers são a norma, não a exceção. Qualquer marca tem uma base massiva de compradores ocasionais. Eles são fiéis o suficiente: compram a marca quando a situação é relevante: mas sua baixa frequência não os torna menos valiosos em escala. Somados, representam a maior parcela da receita de marca em qualquer categoria madura.
Fundamentalmente. Mídia de alto alcance (não de alta frequência para o mesmo público) passa a ser o modelo correto. O objetivo é manter a marca "na frente" do maior número possível de compradores potenciais: inclusive os que compram raramente, em vez de saturar os heavy buyers com exposição repetida desnecessária.
Light buyer já comprou a marca pelo menos uma vez no período de análise: está no repertório de consideração. Non-buyer nunca comprou ou parou de comprar há tanto tempo que saiu do repertório. A estratégia para cada grupo é diferente: light buyers precisam de manutenção de salience; non-buyers precisam de entry: que é mais difícil e custoso.